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Deputado ameaça "implodir" Bolsonaro e abre nova crise dentro do PSL

Deputado ameaça "implodir" Bolsonaro e abre nova crise dentro do PSL

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DEPUTADO Delegado Waldir disparou contra Jair Bolsonaro e escancarou ainda mais o conflito dentro do PSL
Guerra de áudios colocou Delegado Waldir e Jair Bolsonaro em rota de colisão. Líder do partido chamou o presidente de "vagabundo"


Na guerra de áudios aberta dentro do partido do presidente da República, o PSL, o líder da legenda na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), prometeu "implodir" Jair Bolsonaro.
A ameaça se tornou pública após áudio de nove minutos com fala do pesselista vazar nessa quinta-feira. O também deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), da ala bolsonarista, assumiu a autoria da gravação do correligionário, feita com a intenção de blindar o chefe do Executivo.
Vou fazer o seguinte, eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele, eu tenho a gravação", declarou Waldir durante reunião ontem entre parlamentares e Luciano Bivar, deputado federal e presidente nacional da sigla.
Bivar e Bolsonaro travam uma queda de braço desde a semana passada, quando o presidente afirmou que o dirigente estava "queimado", recusando-se a gravar com um apoiador que mencionou o nome do deputado investigado em Pernambuco. Bivar foi alvo de ação de busca e apreensão da Polícia Federal na última terça-feira no caso do esquema de candidaturas "laranjas" do PSL.

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Na noite de quarta-feira, 16, um grupo de 27 deputados do PSL decidiu destituir o líder da bancada na Câmara, Delegado Waldir (GO), substituindo-o por Eduardo Bolsonaro (SP). Deputados do PSL ligados ao presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), apresentaram nova lista, para manter Delegado Waldir no cargo, e abriram uma "guerra de listas". O pedido para a troca de líder do PSL na Câmara foi feito pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que conversou com parlamentares do PSL e cobrou apoio para seu filho "zero três". Após vazamento de áudio sobre suposta articulação para troca do líder do PSL na Câmara, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 17, que, se alguém o "grampeou", foi um ato de desonestidade. "Eu não trato publicamente deste assunto. Converso individualmente. Se alguém grampeou telefone, primeiro é uma desonestidade", afirmou o presidente.
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"Não tem conversa, eu implodo o presidente, acabou, cara", afirma Waldir no mesmo encontro. "Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo, cara. Eu votei nessa porra, eu andei no sol 246 cidades, no sol gritando o nome desse vagabundo."
Outro parlamentar do PSL acrescenta: "Eu nunca fui tão assediado como agora. O Palácio nunca ligou tanto para mim, desde a minha posse". Um deputado se queixa de que os pesselistas na Câmara sempre foram tratados como "cachorro" pelo presidente.
"O que a gente está passando? A gente foi tratado que nem cachorro desde que ele ganhou a eleição", critica. "Nunca atendeu a gente em porra nenhuma."
PRESIDENTE Jair Bolsonaro articulou, sem sucesso, a saída de Delegado Waldir da liderança do PSL na Câmara
O entrevero segue-se à briga da última quarta-feira, quando Bolsonaro articulou a derrubada de Waldir da liderança do partido na Câmara. A estratégia do presidente, revelada em áudio cujo vazamento foi atribuído ao deputado federal Heitor Freire (PSL-CE), era emplacar o filho Eduardo Bolsonaro no lugar de Waldir, em tentativa de assumir o controle do partido.
A manobra foi malsucedida e o chefe do Executivo sofreu forte contragolpe. Após batalha de listas com assinaturas de ambos os lados, duas para apear e uma para manter Waldir à frente da legenda, o pesselista segurou-se no cargo, com anuência da presidência da Câmara. De lá, comandou uma reação, secundado por Bivar.
Ainda ontem, Eduardo, também deputado, foi destituído da presidência do PSL em São Paulo, enquanto o seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, sofreu queda do mesmo posto, mas no Rio de Janeiro.
Horas depois da retaliação, porém, Waldir amenizou o tom de sua fala vazada. "Isso já passou. Nós somos Bolsonaro. Somos que nem mulher traída, apanha, mas mesmo assim volta ao aconchego", comparou.
Na sua transmissão nas redes sociais à noite, realizada todas as quintas-feiras, Bolsonaro evitou a crise no PSL, que já se arrasta há quase 15 dias e por trás da qual evidencia-se disputa em torno do fundo partidário a que a sigla tem direito, uma cifra que ultrapassa os R$ 100 milhões.
mais.opovo.com.br
18.10.2019