S DO CARIRI - LAURO SOBREIRA, UM HOMEM PERANTE A VIDA - Cariri Ativo - A Notícia Com Credibilidade e Imparcialidade
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S DO CARIRI - LAURO SOBREIRA, UM HOMEM PERANTE A VIDA

S DO CARIRI - LAURO SOBREIRA, UM HOMEM PERANTE A VIDA

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Era uma quinta-feira, do dia 05 de dezembro de 1912, um dia frio e bucólico, quando Deus presenteou Santana do Cariri/CE, com o nascimento de LAURO SOBREIRA DE AQUINO. Coincidentemente, no dia 13 de dezembro, 08 (oito) dias após o seu nascimento, no outro lado da Chapada do Araripe, numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara povoado do Araripe, a 12 km da área urbana do município de Exu/PE, veio ao mundo Luiz Gonzaga do Nascimento. 
Duas lendas, duas personagens, que marcaram, em vida, a história do seu povo, da sua terra. Viveram sua contemporaneidade, em um cenário repletos de adversidades, desafios, exigindo deles – fé, persistência, trabalho, ousadia, talento e criatividade. 

Aos 03 (três) anos de idade, em 1915, o menino Lauro perdia o seu Pai – Gabriel Sobreira Andrade. Neste mesmo ano uma seca avassaladora dominou o Nordeste Brasileiro, a varíola, foi responsável por um número considerável de óbitos, à época. Embora avisados das secas e acostumado às suas agruras, o nosso povo não tem e não poderia ter tão cedo a previsão necessária para prevenir-se e precatar-se contra os seus efeitos, porque nem todas as medidas de defesa estavam em suas mãos. As secas periódicas, desorganizavam por completo a economia primária do sul do Cariri, extinguindo fontes naturais de vida, crestando a pastagem, dizimando o gado e arrasando as lavouras, deixando os seus habitantes desprovidos de reservas.

Os 10 (dez) primeiros anos de vida do garoto Lauro (1912-1922), foram marcados por guerra (A Primeira Guerra Mundial), revolução (Revolução Russa), revoltas (A Sedição de Juazeiro), conflitos envolvendo posseiros e pequenos proprietários de terra (A Guerra do Contestado), a morte da Beata Maria de Araújo, o messianismo (O Caldeirão do Beato José Lourenço), o cangaço (um fenômeno do banditismo, crimes e violência ocorrido em quase todo o sertão do Nordeste do Brasil)   e as pestes que assolaram a terra, cobrando um mortífero tributo à humanidade sofredora, influenciando a sua existência, a sua mentalidade, a sua conduta, a sua vida social.

Em meio a tantas agruras, o pequenino Lauro, inocentemente, perambulava pelas ruas de Juazeiro do Norte, vendendo medalhas com a imagem do Padre Cícero, para ajudar no seu sustento e da sua mãe – a doce e amável, Cecília. Os mosaicos históricos marcariam a vida de Lauro.
De volta a sua amada terra de Sant’Ana, aos 20 (vinte anos) de idade e não mais reconhecendo os traços de sua cidade natal, pode perceber a dimensão do que o foi “Coronelismo.” Entre os anos de 1926/1928, Santana do Brejo Grande foi palco de um confronto envolvendo Manuel Alexandre Gomes de Sá e Felinto da Cruz Neves.

Fortalecidos e prestigiados os coronéis em suas comunas, vicejaram nelas as oligarquias municipais, caracterizando-se, notadamente, pela prática da política de dominação. Seus redutos transformaram-se em covis de cabras armados e em valhacoutos de cangaceiros. Recebia, nas fazendas, o delinquente de ocasião, transforma-o em profissional, e este por isto ou por aquilo, terminava no cangaço. Geravam-se os núcleos de poderio.

Alheio a tudo e a todos, agora o jovem Lauro, se “afoitava” em limpar um chão, para plantar uma roça de milho, o que o fez com suas próprias mãos, “labutando” incansavelmente no estonteante sol nordestino. Colheu e ensacou a sua produção, e lançou-se a comercializar o excesso. Estava formado em si, o espectro de um homem, cuja marca registrada foi a responsabilidade, o trabalho, e a dedicação plena a sua família. O pequenino e incansável vendedor de medalhas do Pe. Cícero, transformava-se em um curto espaço de tempo; em um brilhante, dedicado e bem sucedido empresário. Aqui, passa a ter como linha de conduta o fazer o que se deve, obtendo o que se pode, a verdade passa a ser merecedora de toda a sua estima e legitimaria o seu entendimento de ética como comportamento prático-moral.

As adversidades o afastou da Universidade, mais sempre esteve na esfera do seu comportamento humano - um filho médico, um filho geólogo, um filho advogado – trazia as discussões acadêmicas para bem perto de si.

No decorrer de sua vida partiu em defesa do encorajamento ao pensamento livre, não se entusiasmou na legitimação da ordem política que criava raízes no país – militarismo – rompeu com costumes, se opôs ao “mandomismo”, a sua capacidade de compreensão era extraordinária, difundiu a importância e a necessidade do fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Libertou seus juízos dos juízos dos outros e meditou certas possibilidades de uma maneira racional, de ir ao encontro do interesse da grande maioria – os excluídos socialmente.

Visionário, fundou o CLUBE UNIÃO, para servir como propagador das artes, da literatura, do esporte, integração social e ponto de efervescentes discussões – hoje, seria um CENTRO DE CONVENÇÕES – passagem obrigatória para difusão de idéias políticas formadoras de tradições.
Lauro Sobreira de Aquino, foi um homem desprovido de orgulho e vaidade, a bondade, a calma e a moderação, eram seus principais traço. Carregava em si, um sentimento muito forte de justiça e viu na honestidade e retidão de caráter, princípios importante, nos quais, pautou toda a sua vida. Literalmente, foi um HOMEM perante a vida.

Que Deus nos presentei com novos Lauro Sobreira ...

Fonte: Fonte: Texto de autoria do Dr. Marcos Aurélio Vieira Peixoto de Alencar,  extraído de sua página do Facebook.
23.07.2020