Uma preocupação tem circulado no seio da sociedade caririense nos últimos meses no que diz respeito ao seu destino político: como será o futuro da macrorregião sul cearense com a saída do governador Camilo Santana e, em janeiro, da sua vice e fiel aliada, Izolda Cela, do Abolição? A preocupação não é à toa, pois nos 8 anos passados as cidades que compõe a Região receberam um volume de investimentos do governo do Estado jamais visto em sua história, seja em relação a serviços, programas ou obras estruturantes e estruturadoras que foram realizadas nos municípios caririenses.
Porém, o futuro governador de Estado, seja qual for o resultado, será alguém de fora do Cariri, o que mesmo não significando um abandono automático da região, pode tender a tirar a Terra dos Índios Cariris do centro da política do Estado e diminuir a atenção que foi percebida nos últimos tempos. Há, contudo, três fatores que podem diminuir ou mesmo eliminar completamente essa possibilidade, mantendo o Cariri forte no centro da política e dos investimentos públicos do Estado do Ceará, quais sejam:
- A eleição do ex-governador Camilo Santana para o Senado: principal responsável pelo recorde de investimentos no Cariri, o cratense adotado por Barbalha e devoto do Padre Cícero, apresenta ampla aprovação popular em todo o Ceará e tem fortíssima probabilidade de ser confirmado nas urnas como senador da república, como vem sendo apontado nas pesquisas de intensão de voto, condição essa fundamental para manter a Região Metropolitana do Cariri (RMC) no centro da política no Estado;
- O fator 2 está ligado a outra questão que vem chamado a atenção: o fato inédito de pela primeira vez em muitos anos os três prefeitos das cidades centrais da RMC, Crato, Juazeiro e Barbalha, além da maioria consistente dos prefeitos dos demais municípios carienses apoiarem em conjunto o mesmo candidato a deputado estadual, que é o atual vice-presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Santana. Essa articulação é condição fundamental para garantir uma votação expressiva a Fernando e, com isso, credenciá-lo a ser o próximo presidente da ALECE. Na política, a correlação de forças, principalmente entre o Executivo e o Legislativo é sempre determinante nos rumos dos investimentos, e mesmo não tendo um conterrâneo como governador do Estado, os caririenses podem ter o senador da república e o presidente da assembleia juntos na sua representação política. Para que isso ocorra, entretanto, é preciso um esforço coordenado da Região para eleger com grande volume de voto o jovem Fernando Santana, confirmando-o como uma das principais lideranças políticas do Estado. Caso confirmadas essas duas primeiras hipóteses, elas já seriam capazes de manter o Cariri altivo no jogo do poder cearense.
- O terceiro e último, mas não menos importante fator, diz respeito ao alinhamento político do futuro governador com as principais lideranças políticas do Cariri. Sendo muito provável a eleição de Camilo para o senado e a reeleição de Fernando para a ALECE, considerando também o apoio majoritário de prefeitos, vereadores e demais lideranças políticas da Região a essas candidaturas ou a outras dentro do mesmo campo político liderado por Camilo, como a do deputado federal Guimarães, por exemplo, natural também se esperar uma larga votação no candidato ao governo do Estado apoiado por essas forças, Elmano de Freitas. Camilo, Fernando, Guimarães e todos os outros deputados estaduais e federais desse campo político votados no Cariri terão mais abertura e poder de atuação se o governador for um aliado político.
Cada um desses fatores é individualmente importante, mas,’ considerando como hipótese a possibilidade da ocorrência dos três fatores juntos, o Cariri cearense teria grande possibilidade de manutenção da sua força política preservada e a garantia da continuidade do volume de investimentos e obras que marcaram os 8 anos de Camilo e Izolda.
Evidentemente que não há jogo ganho nem vida fácil na política, mas é também e justamente por isso que nela tudo pode acontecer, pois depende exclusivamente de uma circunstância: a vontade do povo – e nesse caso específico, do povo caririense que decidirá nas urnas, em outubro, o futuro da sua gente.
*Isaac Luna é cientista político, advogado, consultor e professor universitário


