Autor Gabriel Borges
As manchas de óleo que reapareceram nas praias do Ceará neste mês de setembro seguem se espalhando o pelo litoral. Em apenas dois dias, o número de municípios atingidos saltou de quatro para sete. O levantamento, disponibilizado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Ceará (Sema) no último dia, 26, apontou que 12 praias do Estado já foram atingidas.
Até o último dia 24, o piche tinha chegado a nove praias cearenses, sendo uma no litoral leste (Beberibe) e as demais em Fortaleza e na Região Metropolitana. O novo levantamento mostrou que o óleo também atingiu o litoral oeste, mais precisamente o município de Paracuru.
Esta não é a primeira vez que aparecem manchas de óleo no litoral cearense. Em 2019 e 2020, assim como agora, a faixa de areia de diversos estados do Nordeste foi tingida de preto devido a um vazamento da substância de um navio petroleiro grego, como apurou a investigação da Polícia Federal (PF).
No início de 2022, entre os meses de janeiro e fevereiro, mais uma vez as manchas voltaram ao litoral cearense, mas apenas no Ceará. Ao todo, 84 praias foram atingidas, em 14 municípios.
De acordo com o doutor Eduardo Lacerda, coordenador da equipe do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente, da Sema, ainda não se sabe o que causou o derramamento registrado no início deste ano, assim como o atual.
Porém, ele aponta que a análise do material indicou que o óleo encontrado no início de 2022 era diferente do material coletado em 2019/2020.
Segundo Lacerda, a possibilidade de que as manchas deste mês de setembro tenham alguma relação com o vazamento causado pelo navio grego, em 2019, "está praticamente descartada". Ainda conforme o coordenador, não há uma estimativa da quantidade de óleo que chegou ao Ceará no mês atual.
"As manchas que estão aparecendo são bem pequenas, mas elas se estendem ao longo de toda a praia, o que até dificulta o recolhimento do material", explica. Questionado sobre a chance de as manchas aumentarem, Lacerda não descartou a possibilidade, pois ainda não se sabe o que está causando o aparecimento do óleo.
Para o professor do Labomar-UFC, Marcelo Soares, é preciso que o Brasil passe a investir no monitoramento do que chega à sua costa, para evitar que o problema se torne ainda mais recorrente.
"Não temos ainda um sistema de detecção do que chega à nossa costa, e, por isso, estamos em uma posição vulnerável. Os satélites já nos permitem monitorar embarcações", explica Marcelo Soares.
De acordo com Soares, para casos de vazamento de óleo, já existem sistemas capazes de identificar a origem dessas substâncias. "Sem esse tipo de tecnologia, vamos seguir sofrendo com óleo chegando à praia, sem saber de onde ele veio".
O especialista acredita que é necessário aumentar a quantidade de investimentos na área, para que a proteção ambiental seja fortalecida.
Animais afetados e banho de mar
Durante o atual episódio das manchas de óleo, ainda não foi registrado nenhum dano direto a animais, de acordo com o doutor Eduardo Lacerda, coordenador da equipe do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente, da Sema.
Mesmo assim, o especialista explica que espécies de peixes e aves correm o risco de realizarem a ingestão do material tóxico. Sobre o banho de mar, não há qualquer restrição sugerida por parte da pasta.
"O que a gente sugere é que se evite ter contato com essas manchas de óleo, porque a gente não sabe qual é a origem, nem o que podem causar na nossa pele", conclui.
12 praias atingidas por resíduos de óleo no segundo semestre de 2022:
Fonte: Sema
opovo,com.br
28.09.2022


