Autor Marcelo Teixeira
A Polícia Federal achou no telefone do principal ajudante de Ordens do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), indícios que levantaram suspeitas de transações financeiras feitas no gabinete do mandatário.
Segundo revelou reportagem da Folha de S.Paulo, mensagens por escrito, fotos e áudios trocados pelo tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, com outros colaboradores da Presidência sugerem que há predominância de depósitos fracionados e saques em dinheiro.
A assessoria da Presidência nega quaisquer irregularidades com os pagamentos feitos, dizendo que as movimentações foram feitas com dinheiro privado do presidente Jair Bolsonaro.
Baseado nessas indicações, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido da PF e autorizou na última segunda-feira, 26, a quebra de sigilo bancário de Cid.
A indicação é que esse material que é investigado pela PF tenha sido usado para pagar contas pessoais da família de Jair Bolsonaro, além de despesas de pessoas que possuem proximidade com a primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em diálogos feitos por mensageiros, funcionários da Ajudância de Ordens fazem trocas de recibos de saques e depósitos e abordam o pagamento de boletos.
Uma das suspeitas que a Polícia Federal investiga com base nessas conversas é o pagamento de uma fatura de plano de saúde de um parente da família presidencial.
Em outra situação, há pagamento fracionado para uma tia da primeira-dama, que cuida da filha do casal, Laura Bolsonaro, de 11 anos, nas ausências de Michelle por motivos de compromissos ou viagens.
A investigação almeja saber se as despesas particulares foram pagas com uso de dinheiro público. Uma das hipóteses levantadas é se as transações têm origem em valores dos cartões corporativos da Presidência.
A assessoria da Presidência disse à Folha que essas transações vistas com suspeita foram feitas com dinheiro privado do presidente Bolsonaro. "Todos os recursos não têm origem no suprimento de fundos (cartão corporativo). O presidente nunca sacou um só centavo desse cartão corporativo pessoal. O mesmo está zerado desde janeiro de 2019", afirma.
Ainda segundo a assessoria, a escolha do pagamento através de saques e depósitos para uma tia da primeira-dama se deu por razões de segurança. "Cid não fazia transferência de conta a conta. Ele sacava o dinheiro para a conta do presidente não ficar exposta, com o nome dele no extrato de outra pessoa", diz.
A mesma justificativa é dada para demais gastos. “Todos esses gastos são pessoais e diários da dona Michelle. Cabeleireiro, manicure, uma compra no site de roupa e outras coisas. A opção foi não colocar a conta do presidente no extrato da manicure, da fisioterapeuta ou outros gastos diários de uma família com 5 pessoas", afirma a assessoria.
opovo.com.br
30.09.2022


