Manto tupinambá raro deve retornar ao Brasil após mais de três séculos na Dinamarca - Cariri Ativo - A Notícia Com Credibilidade e Imparcialidade
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Manto tupinambá raro deve retornar ao Brasil após mais de três séculos na Dinamarca

Manto tupinambá raro deve retornar ao Brasil após mais de três séculos na Dinamarca

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Legenda: Glicéria Tupinambá ao lado do manto no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague, em 2022
Foto: Divulgação/Setor de Etnografia e Etnologia do Departamento de Antropologia do Museu Nacional (URFJ)/Renata Cursio Valente
Peça ficará no Museu Nacional; liderança Tupinambá afirma que entendem o manto como um ancestral


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Um raro manto tupinambá será devolvido ao Brasil após ficar mais de três séculos na Dinamarca. A peça está em Copenhague desde pelo menos 1699, e deve ir ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Com 1,80 metro de altura e 80 centímetros de largura, é feito de penas vermelhas de guará costuradas em uma malha com uso de técnica ancestral.

Para a indígena Glicéria Tupinambá, que está terminando a formação em antropologia, o item não se trata apenas de uma obra de arte. "A gente acredita que seja um ancestral", disse ao g1.

Esse é um dos exemplares mais bem preservados. Estima-se que tenha sido produzido entre os séculos 16 e 17, e que tenha outros dez mantos desse no mundo. São distribuídos da seguinte forma:
  • 1 em Paris, na França
  • 1 em Bruxelas, na Bélgica
  • 1 em Basiléia, na Suíça
  • 1 em Milão, na Itália
  • 2 em Florença, também na Itália
  • 5 em Copenhague, na Dinamarca (um deles retornará ao Brasil)

O manto deve ser transferido a partir de maio de 2024. Porém, o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, espera um retorno antes disso. 

De acordo com o g1, a doação foi realizada com o envolvimento do embaixador brasileiro na Dinamarca, Rodrigo de Azeredo Santos, do Museu Nacional e da comunidade tupinambá da Serra do Padeiro.

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E CULTURAL

Os mantos foram transportados à Europa e tratados como itens de valor em coleções da realeza. Alguns nobres europeus chegaram a usar as peças.

A artista e pesquisadora Glicéria, que estuda os mantos e outros artefatos dos Tupinambás, vê a cultura indígena como um pote que foi quebrado, "espalhando vários caquinhos, vários fragmentos por todo o canto. Agora é o momento de a gente recolher esses fragmentos e recompor esse pote".

Nesse processo de recebimento do manto, o Museu Nacional celebra o retorno do item. "É a primeira peça de incomensurável valor simbólico e artístico, um ícone da história do Brasil e de sua Antropologia, que regressa para o país e para a guarda das instituições nacionais", declarou em nota.

diariodonordeste.verdesmares.com.br

29.06.2023