Médico do Samu explica como a substância afeta o organismo, causando lentidão e demora nas respostas do corpo.
Escrito por Agência de conteúdo DN
Em incontáveis campanhas Brasil afora, a máxima de “se beber, não dirija”, é repetida de forma constante. Mesmo com todo o reforço na informação, a mistura entre álcool e direção ainda resulta em um número elevado de óbitos no país, com 10.887 pessoas morrendo nessas condições em 2021, segundo dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) divulgados neste ano.
Em 2023, a Lei Seca completa 15 anos de atuação. De lá pra cá, a legislação passou por alterações que visam garantir a segurança de todos no trânsito, com tolerância zero para embriaguez no trânsito. Ainda de acordo com a pesquisa do Cisa, houve uma redução de 32% no número de óbitos no trânsito entre 2010 e 2021.
Afinal, quais são os efeitos do álcool no organismo? E por que ele afeta tanto a capacidade dos condutores? De acordo com Yury Tavares, médico e diretor de Educação Permanente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Ceará (Samu), o álcool, quando começa a entrar no organismo, provoca uma sensação de euforia e desinibição, antes de provocar lentidão no corpo.
Com o aumento da ingestão, o álcool provoca efeitos como sonolência, déficit de atenção e lentidão nas respostas reflexas, o que pode comprometer a habilidade de dirigir e, principalmente, a direção defensiva.
“O mecanismo de ação dele é inibir diretamente estas funções no cérebro, então torna-se um estado incontrolável por parte da pessoa que ingeriu, e isso é um risco enorme para todos, pois coloca em risco a vida não só da pessoa que ingere álcool e dirige, mas, também, da sociedade”, relata o médico.
Na legislação atual, ao se fazer o teste do bafômetro, a tolerância máxima de álcool no sangue é de 0,04 mg/l, sem penalidades para o condutor.
- De 0,05 mg/l a 0,33 mg/l: configura uma infração gravíssima;
- Igual ou superior a 0,34 mg/l: caracteriza-se como crime de trânsito.
Yury Tavares explica que, mesmo em quantidades mínimas, o álcool pode alterar o senso de discernimento de alguns indivíduos. O tempo que a substância permanece dentro do organismo pode variar de acordo com a quantidade ingerida, o tipo de bebida e sua respectiva porcentagem alcoólica, além da capacidade de cada indivíduo de degradar o álcool. Em média, são necessárias de 3 a 4 horas para que ele seja eliminado.
Redução dos efeitos no dia seguinte
Uma das principais consequências do uso excessivo de álcool é a ressaca. Para Yury Tavares, a orientação clássica permanece como a mais indicada: se hidratar muito tanto durante a ingestão do álcool quanto depois. Dessa forma, será possível reduzir o mal-estar. “Lembrar que, ao desidratarmos, não perdemos apenas a água, mas também eletrólitos importantes para o funcionamento normal do nosso organismo.”
diariodonordeste.verdesmares.com.br
21.09.2023


