Autor Guilherme Gonsalves
O deputado federal cearense André Fernandes (PL), juntamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL), solicitou acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, às investigações realizadas por órgãos do Ceará que analisam suposta participação de organização criminosa no Estado que financiou golpistas.
As investigações são dos grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Ministério Público do Ceará (MPCE) e do Ministério Público Federal (MPF), em parceria com a Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Estado.
“É muito estranho que no meio de todas essas investigações apareça uma facção criminosa originada no Ceará, não conheço essa, mas uma facção criminosa financiando um ônibus para manifestantes virem a Brasília. Informações essas que a gente não teve ainda na CPMI, não tem ainda no STF”, disse André Fernandes ao O POVO.
O parlamentar afirmou que a oposição na CPMI quer buscar saber que organização criminosa é essa e os envolvidos. Ele disse não temer que quem esteja por trás seja eleitor seu ou do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"A gente quer investigar. Investigação isenta. Todos aqueles que têm ligação, principalmente com bandidos, merecem pagar pelos seus crimes. Ponto. Eu não tenho medo dessa pessoa ter envolvimento com eleitor meu ou eleitor do Bolsonaro, agora se tem ligação com bandido é bandido”, disse.
Flávio Bolsonaro: "Tem algo muito errado e incoerente"
Também ao O POVO, o senador Flávio Bolsonaro reafirmou o pedido aos órgãos cearenses para ter acesso às informações das investigações. Ele disse estranhar a base governista não apoiar o requerimento.
"Então, é óbvio que a gente quer saber o que é isso. Porque o que nós sabemos, na rotina, é que facções criminosas, que possuem muitos presos, por exemplo, e presídio é um lugar onde há uma maioria esmagadora de eleitores do Lula. Então me estranhou muito a base do governo Lula não abraçar essa ideia de descobrir que facção criminosa é essa”, afirmou.
Para Flávio, é incoerente a base governista da CPMI não apoiar o pedido do acesso às investigações, pois eles seguem uma linha de seguir quem financiou os atos antidemocráticos.
“Já que há uma linha da base do governo de seguir quem financiou, quando aparece uma facção criminosa do Ceará que pode ter financiado, eles simplesmente fazem cara de paisagem. Então tem algo muito errado e incoerente”, declarou.
Os órgãos locais que investigam a ligação de cearenses com os atos golpistas, entretanto, não usaram o termo "facção" no textos e declarações referentes ao fato, mas, sim, "organização criminosa", ou seja, organização de mais de quatro pessoas criada para executar determinado crime. A troca das denominações acabou por provocar esse equívoco.
opovo.com.br
13.09.2023


