Como uma das coordenadoras do projeto na unidade, a fisioterapeuta Suianne Soares está envolvida com os trabalhos do “Saúde em Nossas Mãos” desde a implantação no hospital. Ela explica que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) receberam o projeto e, como resultado, reduziram em 93% as infecções de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) e em 37% as infecções Primárias de Corrente Sanguínea Laboratorial (IPCSL).
“Por meio do Saúde em Nossas Mãos, conseguimos implantar a cultura da melhoria. Somos uma unidade especializada no politrauma e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ou seja, pacientes em longa permanência e de difícil desmame da ventilação mecânica invasiva. Na prática, o projeto proporcionou uma sensibilização quanto aos microprocessos necessários para a redução das infecções”, afirma Suianne Soares.
De acordo com Suianne, diariamente, o quadro de gerenciamento das ações executadas é atualizado na unidade. A partir dele, a equipe consegue visualizar se todas as medidas de prevenção estão sendo realizadas com qualidade, sendo possível identificar pontos de fragilidade e oportunidades de melhoria no combate às IRAS.
Conforme a profissional, já foi possível identificar o aumento na adesão da equipe multiprofissional à higiene das mãos, a redução das Infecções do Trato Urinário (ITU) e da quantidade de dias que o paciente fica com dispositivos invasivos. “Nosso papel é salvar vidas. Os números mostram a importância do trabalho da nossa equipe multiprofissional. Já estamos há dois meses sem apresentar infecções de ITUs. Ou seja, estamos conseguindo colher bons frutos para melhoria da qualidade assistencial e a redução do tempo de internação dos nossos pacientes”, finalizou Suianne.
Importância da redução
Ligado ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), o Saúde em Nossas Mãos tem como objetivo a redução dos principais indicadores de infecção hospitalar e repassar o modelo de melhoria para unidades hospitalares, além de impactar financeiramente a área assistencial com a prevenção das infecções.
“As infecções prolongam a estadia dos pacientes na unidade, podem gerar sequelas graves, oneram os custo com medicações que, por muitas vezes, têm alto aporte financeiro. Diminuem a rotatividade dos leitos, além de gerar medo e angústia aos familiares”, comentou o Coordenador de Enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva, Ysmário de Andrade.
Para o profissional, o projeto tem contribuído com a mudança da cultura das organizações de saúde com relação à segurança do paciente. “Quando ocorre uma infecção na unidade, logo procuramos investigar se houve alguma falha no processo e identificar oportunidades de melhoria. Essas reavaliações no processo assistencial são realizadas de forma rotineira, sempre priorizando a qualidade da assistência e segurança do nosso paciente”, ressaltou.
21.09.2023


