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Falsos curandeiros são condenados por enganar vítima com rituais de "purificação" em SP

Falsos curandeiros são condenados por enganar vítima com rituais de "purificação" em SP

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Imagem de apoio ilustrativo. Rituais envolviam a queima de objetos de valor da vítima. No entanto, criminosos não queimavam e tomavam os itens para si / Crédito: Freepik

Prática foi considerada estelionato por ter como objetivo a obtenção de ganhos econômicos desde o início da relação da vítima com uma das condenadas.

Autor Alexia Vieira.

Cinco falsos curandeiros foram condenados por encenar rituais de “purificação” para enganar uma vítima e obter dinheiro. A 4ª câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) entendeu que o curandeirismo foi uma fachada para praticar o crime de estelionato e manteve a decisão após análise de recursos.

Os réus receberam pena de multa, além de um ano e nove meses de prisão, em regime semiaberto, para uma das rés. Os demais receberam quatro meses e 24 dias de reclusão, em regime aberto. Eles terão a pena privativa de liberdade substituída por prestação de serviços à comunidade.

Conforme o portal Migalhas, uma das condenadas percebeu a fragilidade emocional da vítima e iniciou uma relação de confiança. Os autos do processo mostram que, com o tempo, as práticas de cunho espiritual começaram a ser oferecidas.

Como os rituais funcionavam

Os rituais envolviam os outros condenados. Nas cerimônias, a vítima entregava dinheiro, joias e outros objetos de valor. A promessa do grupo era de que os itens seriam queimados como parte da “purificação”.

No entanto, os bens eram trocados sem que a vítima percebesse e continuavam com os criminosos. Depois de não sentir os efeitos prometidos pelo grupo, a vítima concluiu que foi enganada, tendo cerca de R$ 250 mil de prejuízo financeiro.

Ao ver na mídia televisiva investigações envolvendo práticas semelhantes, a vítima procurou a delegacia e reconheceu por fotografias as pessoas com quem manteve contato durante os rituais.

Prática foi considerada estelionato

Para o desembargador Euvaldo Chaib, relator do recurso, desde o primeiro contato o objetivo do grupo era obter dinheiro por meio da exploração da credulidade e da vulnerabilidade emocional da vítima. Por isso, o dolo é antecedente à conduta.

O magistrado rejeitou a tese de desclassificação do estelionato para curandeirismo destacando que os rituais foram apenas um instrumento para a prática do crime, já que a finalidade de ter ganhos econômicos era anterior e central às ações.

“Os réus lançaram mão de uma artimanha, manobra ardilosa consistente em preparar um ritual que intitularam de trabalho espiritual para obtenção da vantagem patrimonial”, disse na decisão.

opovo.com.br

caririativo.blogspot.com

26.01.2026