A reabilitação fonoaudiológica é uma das etapas do tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e desempenha papel importante na recuperação dos pacientes atendidos no Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). O cuidado começa ainda na fase aguda, com avaliação especializada e planejamento terapêutico individualizado. A atuação precoce tem como objetivo reduzir complicações e minimizar sequelas.
Entre as alterações mais comuns causadas pelo AVC estão a disfagia, que é a dificuldade de engolir; a disartria, que é a fala arrastada, com dificuldade na articulação; e a afasia, caracterizada por alterações na compreensão ou expressão da linguagem. “A disartria é um dos primeiros sinais que aparecem no AVC. A fala já começa a ficar ‘embolada’ por conta da musculatura que pode paralisar em um lado da face”, explica a coordenadora de Fonoaudiologia do HRC, Héllen Ribeiro.
A fonoaudióloga que atua na Unidade de AVC (UAVC) do HRC, Thalia Reis, destaca que o início precoce da terapia busca aproveitar a janela de neuroplasticidade, que é o período em que o cérebro apresenta maior capacidade de reorganização após a lesão. “A intervenção precoce previne complicações clínicas, reduz o tempo de internação, minimiza sequelas funcionais e diminui o impacto psicossocial”, ressalta.
Na UAVC do HRC, a abordagem da fonoaudiologia com os pacientes envolve a realização de exercícios oromiofuncionais, que são voltados ao fortalecimento e à coordenação da musculatura orofacial, abrangendo lábios, língua, bochechas, mandíbula e palato.

A fonoterapia inclui ainda estímulos com diferentes toques, temperaturas e sabores para ativar a sensibilidade da boca, além de técnicas que tornam a alimentação mais segura e reduzem o risco de engasgos. O tratamento também envolve exercícios para melhorar a fala e a comunicação.
Outro recurso utilizado é a bandagem elástica, aplicada na região facial e cervical, conforme a necessidade de cada paciente. Essa técnica auxilia no controle do acúmulo de saliva na boca, na melhora da abertura ou fechamento da boca e na estabilização do tônus muscular. “E também para retornar a boca à posição correta. Se a boca está mais caída para um lado, a gente pode utilizar a bandagem para estimular o músculo para voltar ao normal”, complementa Héllen.
De acordo com Thalia Reis, a utilização combinada desses recursos favorece os resultados porque atua, ao mesmo tempo, em força, coordenação, sensibilidade e reorganização neural. “Quando associamos exercícios oromiofuncionais, bandagem, estimulação e treino funcional, observamos maior segurança na deglutição, redução de engasgos e pneumonia aspirativa, evolução mais rápida na progressão da dieta, melhora da inteligibilidade da fala e, consequentemente, redução do tempo de internação”, pontua.
Assistência precoce

Ela relata melhora significativa. “Está normalizando. No rosto, eu não sinto nada. Meu problema é mais na garganta, porque quando vou comer, como bem ‘devagarinho’ e só comida pastosa, porque eu engasgava.” Por conta dessa condição, após a alta hospitalar, foi recomendado que a paciente prossiga com a fonoterapia.
A coordenadora Héllen acrescenta ainda que muitos pacientes que estão em uso de sonda para se alimentar, com o auxílio da fonoaudiologia, conseguem realizar a retirada desse dispositivo de forma mais rápida e receber alta com uma dieta mais próxima da habitual. “A gente tenta mandar o paciente para casa o mais próximo possível da realidade que ele tinha antes, adaptando-o novamente à rotina que sempre teve”, conclui.
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04.03.2026


