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Estudante de 17 anos é vítima de feminicídio após rejeitar homem no Ceará

Estudante de 17 anos é vítima de feminicídio após rejeitar homem no Ceará

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Velório e sepultamento de Ana Kevile foi marcado por protestos e pedidos de Justiça / Crédito: divulgação/ Nuca Irapuan
Ana Kevile Nogueira Batista, de 17 anos, foi morta a tiros no município de Deputado Irapuan Pinheiro, no Ceará, após recusar investidas e dinheiro de um homem. Suspeito segue foragido.

Autor Jéssika Sisnando

Ana Kevile Nogueira Batista, de 17 anos, foi morta a tiros no último sábado, 25, no município de Deputado Irapuan Pinheirono Sertão Central do Ceará. O crime, tratado como feminicídio, teria sido motivado pela rejeição da vítima às investidas de um homem, que chegou a oferecer dinheiro em troca de um relacionamento. Diante da negativa da jovem, ele atirou contra ela.

Descrita por amigos e moradores como uma adolescente simpática, humilde e prestativa, Ana Kevile cursava o 3º ano do Ensino Médio na Escola Joaquim José da Costa e, no período da noite, trabalhava como operadora de caixa em uma distribuidora.

"Ela era uma pessoa muito boa, não tinha tempo ruim, ajudava em tudo que fosse possível. No trabalho, atendia todo mundo muito bem. Estudava de dia e trabalhava até as 22 horas. Apesar de ser nova, era ela quem segurava a barra da família", relatou uma amiga da vítima em entrevista ao O POVO.

A revolta e o sentimento de vulnerabilidade tomaram conta de quem convivia com a estudante. Para essa mesma amiga, o feminicídio expõe o medo diário que as mulheres enfrentam.

"A gente tem até medo de sair, fica preocupada. É como se a nossa voz não pudesse ser ouvida, como se não tivéssemos o direito de escolha. Foi uma escolha dela não o querer, e ela acabou perdendo a vida por isso", desabafou.

velório e o sepultamento de Ana Kevile, realizados nesta segunda-feira, 27, no Cemitério Municipal de Irapuan Pinheiro, foram marcados por forte emoção. Durante o cortejo, familiares e moradores empunharam cartazes com frases como "Ana Kevile queria viver" e "Justiça por Kevile".

A música tocada durante o cortejo era a canção preferida de Kevile: "Cada volta é um recomeço", de Zezé de Camargo e Luciano. Os presentes cantavam, em meio ao momento de emoção, o trecho "Como se eu partisse já pensando em voltar". Era uma homenagem à estudante, que ainda estava cheia de sonhos.

A população local articula novas manifestações para cobrar celeridade nas investigações e evitar que o caso caia no esquecimento.

O prefeito do município utilizou as redes sociais para repudiar o crime. "A morte prematura e violenta de Ana Kevile não é um fato isolado, mas o reflexo de uma sociedade ainda marcada pela misoginia e pelo sentimento de posse sobre a vida das mulheres. Cada feminicídio representa uma falha sistêmica na proteção dos direitos fundamentais e um ataque direto a toda a comunidade", declarou o gestor.

Polícia Civil procura suspeito do crime 

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) informou que o crime ocorreu dentro de um estabelecimento comercial, em área pertencente à Área Integrada de Segurança (AIS) 9 


. Até a publicação desta matéria, o atirador não havia sido preso.

Delegacia de Polícia Civil de Senador Pompeu está à frente do caso e realiza diligências contínuas para localizar e capturar o suspeito.

A colaboração da população é fundamental para auxiliar os trabalhos policiais. O sigilo e o anonimato são garantidos pelos órgãos de segurança. As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais:

Disque-Denúncia: 181

WhatsApp da SSPDS:(85) 3101-0181 (aceita mensagens de texto, áudios, vídeos e fotografias)

Site e-denúncia: disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br

Delegacia de Senador Pompeu: (88) 3449-1324

opovo.com.br

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28.04.2026