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Estudo aponta baixa vacinação contra HPV e avanço da desinformação no Brasil

Estudo aponta baixa vacinação contra HPV e avanço da desinformação no Brasil

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Vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS, mas baixa adesão entre adolescentes acende alerta para riscos futuros / Crédito: Daniel Galber/Especial para O POVO
Pesquisa com estudantes brasileiros indica que até um terço da população-alvo não se vacinou; cenário preocupa por impactos futuros na saúde pública.

Autor Ana Beatriz Casseb

Um estudo com adolescentes brasileiros revelou que até um terço deles não recebeu a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano), mesmo com a imunização disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A análise, baseada em dados de escolas públicas e privadas coletados antes da pandemia, aponta a desinformação e as desigualdades de acesso como fatores centrais para a baixa cobertura vacinal.

Segundo o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Fernando Wehrmeister, um dos pesquisadores do estudo, o dado acende um alerta não apenas pelo número atual de não vacinados, mas pelas consequências a longo prazo.

“Nos causa surpresa a questão de que tem um quarto da população-alvo não sendo vacinada, o que é um problema sério pensando lá no futuro em termos de custos de saúde”, afirma.

Desinformação avança entre famílias de maior renda

Um dos achados que mais chamaram a atenção da pesquisa foi a menor adesão à vacina em grupos com maior renda e escolaridade em alguns estados, um comportamento que contraria padrões históricos de acesso à saúde.

“A gente acha sempre um resultado esquisito quando são as pessoas mais escolarizadas, mais bem financeiramente que não estão vacinando. Mas isso tem um papel importante da desinformação das vacinas”, explica.

De acordo com o pesquisador, conteúdos falsos disseminados principalmente nas redes sociais têm influenciado diretamente a decisão de pais e responsáveis. “Muitas pessoas não querem se vacinar porque viram nas redes sociais esse aspecto de que a vacina causa algum dano”, completa.

Desigualdades de acesso ainda limitam cobertura

Além da desinformação, fatores estruturais também ajudam a explicar o cenário. A pesquisa aponta diferenças expressivas entre estados brasileiros e destaca dificuldades logísticas, sobretudo em áreas rurais. “Para se atingir uma pessoa na zona rural, a gente precisa de muito mais esforço do sistema de saúde. A dificuldade de acesso e a distância do serviço de saúde explicam os achados que tivemos”, diz.

As desigualdades sociais também se refletem no acesso à informação. Segundo Wehrmeister, investir em educação e letramento é fundamental para ampliar a cobertura vacinal.

A baixa adesão à vacina contra o HPV pode ter consequências graves a longo prazo. O vírus está diretamente associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero.

Além do impacto na saúde individual, o cenário também representa um custo elevado para o sistema público. “O tratamento de uma pessoa com câncer é muito oneroso para o sistema de saúde. Se vacina, você provavelmente vai diminuir a sua chance de ter o câncer lá na frente”, afirma.

Apelo aos responsáveis

O pesquisador reforça que a imunização deve ser vista como uma estratégia ampla de saúde pública, voltada para ambos os sexos. “É importante falar que essa vacinação não é só para meninas; é para meninos também”, destaca.

Diante do avanço da desinformação, ele ainda faz um alerta direto às famílias sobre a importância da vacinação.

“Vacinem suas crianças, porque isso pode prevenir doenças severas no futuro. Não deixem de vacinar para as doenças que já estão há muito tempo, como poliomielite e sarampo, e adicionem a do HPV.”

opovo.com.br

caririativo.blogspot.com

07.04.2026