O influenciador é acusado por crimes, como integrar organização criminosa e estelionato eletrônico.
Gleiciano é denunciado por supostamente explorar jogos de azar, como o 'Jogo do Tigrinho' e foi beneficiado com a substituição da prisão por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, conforme o órgão acusatório, o influencer vem descumprindo reiteradamente as restrições impostas, especialmente a proibição de acesso às redes sociais.
O acusado posta diariamente no Instagram e tem foco em temas políticos. Gleiciano criou um novo perfil e passou a publicar detalhes do que vivenciou dentro do presídio enquanto esteve encarcerado.
Em uma das postagens, ele contou como se depilava dentro da unidade prisional: "não pode ter vergonha, porque todo mundo fica pelado no pátio", disse sobre o período que passou na Casa de Privação Provisória de Liberdade V (CPPL5), localizada em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza.
A defesa do réu alega que solto, Gleiciano não traz risco à ordem pública e sustenta "a desproporcionalidade da segregação cautelar".
A advogada Elaine Maria Mota Araújo, que representa a defesa do influenciador, foi procurada pelo Diário do Nordeste e disse que "até o presente momento, não há qualquer decisão judicial determinando sua prisão, tampouco mandado expedido nesse sentido".
"Ressalta-se que Gleiciano tem comparecido aos atos processuais e se mantido à disposição da Justiça, razão pela qual a defesa segue confiante de que a situação será devidamente analisada pelo juízo competente. A defesa reforça que o processo ainda se encontra em curso, sem qualquer decisão definitiva, e que eventuais interpretações antecipadas não refletem o atual estágio processual".
VIDA DE LUXO E R$ 100 MIL EM PLÁSTICAS
Gleiciano foi um dos alvos da operação interestadual 'Quéfren', deflagrada há um ano. Na época, a Polícia Civil do Ceará (PCCE) cumpriu 13 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão contra agentes de plataformas e influenciadores digitais que contratavam pessoas e divulgavam jogos de azar ilegais.
O MP aponta que o denunciado movimentou mais de R$ 5 milhões em poucos meses e que desde a concessão de liberdade provisória concedida pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), vem descumprindo as medidas impostas.
Mesmo após ser preso, Gleiciano não escondeu nas redes sociais que levava uma vida de luxo. O Ministério Público expõe que o influencer deu a entender aos seguidores que ganhou milhões de reais jogando em 'cassinos virtuais' e com os valores fez viagens internacionais e adquiriu veículos de luxo.
"As investigações balizadas por quebras de sigilo telemático, bancário e relatórios de inteligência financeira revelaram a existência de uma estrutura hierarquizada, na qual o denunciado desempenhava função essencial na captação de vítimas e ocultação de capitais", segundo a acusação.
Gleiciano teria recebido transferências diretas de lideranças da organização, como um pix no valor de R$ 9 mil, em março de 2024, e movimentado vultuosa quantia de R$ 5 milhões em um período de apenas seis meses (de novembro de 2023 a abril de 2024), apenas em uma das suas contas bancárias.
O dinheiro adquirido de forma ilícita também foi usado em uma série de plásticas.
Em 2024, o acusado disse ter gasto mais de R$ 100 mil para se parecer com o ator Cauã Reymond.

"Eu queria transformar o meu rosto, fazer umas plásticas, e quando cheguei ao médico ele perguntou se eu tinha alguma referência para seguir. Eu falei do Cauã Reymond, porque sou fã desde a época de Malhação. Ele é muito bonito, e o médico conseguiu fazer essa transformação em mim", disse ele.
'PAPEL ATIVO NA ORGANIZAÇÃO'
Em documentos a que a reportagem teve acesso consta que o influenciador exerce papel ativo na organização criminosa, "promovendo a fraude eletrônica em larga escala e movimentando milhões de reais de origem escória. A sua insistência em retornar ao meio digital comprova que as medidas cautelares diversas da prisão são insuficientes para conter sua atividade ilícita".
O benefício concedido ao acusado está condicionado ao cumprimento rigoroso das medidas restritivas, mas, para o MP, "ao contrário de episódios isolados ou equívocos justificáveis, a conduta do requerido demonstra um comportamento de total desprezo e escárnio" e "utilizando, inclusive o próprio equipamento de fiscalização estatal como instrumento de entretenimento e engajamento para seus seguidores".
"Diferentemente de criminosos comuns que atuam na clandestinidade física, o modo de atuação de Gleiciano depende intrinsecamente de sua presença digital. Através do perfil ele operacionaliza os crimes de estelionato e angaria os recursos ilícitos. A gravidade concreta de sua conduta é agora agravada pelo descumprimento flagrante das medidas cautelares impostas. Conforme demonstrado nas capturas de tela anexas, o acusado reativou suas redes sociais, criou perfil "reserva" para burlar a fiscalização e passou a exibir a própria tornozeleira eletrônica como troféu demonstrando que não apenas persiste na seara delitiva, mas despreza as determinações do Poder Judiciário".

A defesa do réu entrou com habeas corpus preventivo contra o pedido de prisão do MP. Já neste mês de abril, os desembargadores da 2ª Câmara Criminal votaram negando o habeas corpus preventivo.
Os magistrados destacaram que o "descumprimento das medidas cautelares restou evidenciado por vídeos 'personalíssimos' em que o paciente interage com seguidores e exibe a tornozeleira eletrônica" e que "o descumprimento de medidas cautelares autoriza, por si só, a decretação da prisão preventiva, nos termos do art. 312, §1º, do Código de Processo Penal, como forma de garantir a ordem pública e a autoridade das decisões judiciais".
No acórdão, os desembargadores também pontuaram que "a insuficiência das medidas cautelares diversas da prisão justifica a segregação cautelar quando o agente demonstra total ausência de autodisciplina, evidenciada, neste caso, pela utilização, por parte do paciente, do próprio monitoramento eletrônico como objeto de entretenimento e monetização de engajamento nas redes sociais, subvertendo o caráter sancionatório da medida".
O MP garante que a liberdade provisória do acusado "serviu apenas como palco para a continuidade de sua atividade de influenciador".
A advogada do denunciado acrescenta que "o habeas corpus recentemente julgado pelo Tribunal não substitui a análise do juízo de origem, onde o processo segue em regular andamento. Inclusive, na audiência realizada, foram discutidas as medidas cautelares impostas, estando pendente manifestação da Secretaria de Administração Penitenciária acerca do cumprimento das condições pelo acusado".
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16.04.2026


