Criada em 1996, a urna eletrônica transformou a forma de votar no Brasil ao fornecer acessibilidade aos eleitores e acelerar a apuração dos resultados.
Por Kaylane Garcia
Antes do desenvolvimento tecnológico, o eleitor brasileiro registrava suas escolhas em cédulas de papel. A partir disso, os votos precisavam ser conferidos e contabilizados manualmente, tornando a apuração mais lenta e sujeita a erros ou fraudes.
A informatização eleitoral começou a mudar esse cenário na década de 1990. Desenvolvida pela Justiça Eleitoral, a urna eletrônica foi pensada para diminuir a intervenção humana, que tanto prejudicava a votação e contagem dos votos, e trazer mais segurança ao processo eleitoral.
Urna eletrônica: o que motivou sua criação?
A história da automatização começou antes da criação da própria urna. Em 1985, a Justiça Eleitoral iniciou a formação de um cadastro nacional de eleitores e, nove anos depois, a soma dos resultados passou a ser feita de forma informatizada, mas com a apuração ainda manual.
Somente no ano de 1995 o projeto das urnas passou a ser desenvolvido. O equipamento, inicialmente, recebeu o nome de “Coletor Eletrônico de Votos”, e foi criado por uma equipe formada por especialistas da Justiça Eleitoral e de outras instituições.
A estreia oficial do aparelho aconteceu nas eleições municipais de 1996. Naquele ano, cerca de 70 mil urnas eletrônicas foram distribuídas em 57 cidades, alcançando mais de 32 milhões de eleitores, o que equivale a, aproximadamente, um terço do eleitorado brasileiro da época.
Como era votar antes das urnas eletrônicas?
Ainda na época em que a votação era feita no papel, o eleitor recebia uma cédula, registrava sua escolha e a depositava em uma urna, mas de lona. Após o encerramento do processo, os votos eram retirados e contados manualmente.
Segundo Hamilton Nogueira, mestre em Ciência Política e colunista de tecnologia do O POVO, a segurança e precisão das apurações, na época, podiam ter interferência humana e o resultado alterado a partir disso.
“Antes existiam as urnas grávidas, que eram urnas que já chegavam ao local de votação com votos físicos dentro. Isso acabou. Não há como abrir a urna no dia da votação e simular o voto”, explica ele.
O antigo método exigia uma grande participação humana também na totalização dos votos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse sistema estava sujeito a problemas como erros de contagem e, sem a investigação do que estava ou não adulterado, o resultado seria divulgado da mesma forma.
A urna eletrônica automatizou etapas e procedimentos que antes dependiam diretamente da conferência manual. Com isso, a contagem passou a ser realizada pela própria máquina, reduzindo o tempo necessário para o anúncio dos resultados.
Urna eletrônica: o diferencial brasileiro das eleições
Com a adesão do equipamento, a principal mudança não foi apenas substituir o papel por uma máquina. O Brasil desenvolveu um sistema próprio e avançado de votação eletrônica, pensado nas características dos cidadãos e da estrutura eleitoral do País.
Pensando em tornar a votação um direito acessível para o eleitor brasileiro, a urna conta com estampa em braile e dispositivo de áudio para pessoas com deficiência visual, e foto e número do candidato para pessoas analfabetas. Além disso, há teclas grandes e coloridas, dispostas na mesma forma do teclado telefônico.
Para Hamilton, a importância da urna também é comprovada com os diversos procedimentos que a tornam funcional. Ela não mantém ordem de entrada de voto, funciona sem estar conectada à internet, é criptografada e também funciona como backup, caso haja algum problema.
“Esses procedimentos, com a presença de partidos, jornalistas, polícia federal e demais instituições, mostram que há protocolo, que há institucionalidades e regras no processo de instalação do sistema operacional. Mostram que o processo é limpo, rigoroso e correto”, confirma o especialista.
Desde o ano 2000, quando todo o Brasil começou a utilizar as urnas, o modelo passou por diferentes atualizações e mecanismos de auditoria e segurança. Com isso, o modelo eleitoral brasileiro passou a ser referência nos quesitos sigilo, agilidade e exatidão.
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29.09.2026


