Com o vestibular ocorrendo em Fortaleza pela primeira vez, a tendência é que o número de cearenses aumente na Universidade de São Paulo.
Escrito porAlexia Vieiraalexia.vieira@svm.com.br
A Universidade de São Paulo (USP) recebeu matrículas de 247 alunos do Ceará de 2022 a 2026. Os dados, disponibilizados pela instituição a pedido do Diário do Nordeste, mostram que os estudantes do Estado ocuparam 3,4% das vagas preenchidas por alunos de fora de SP (7.126) nos últimos cinco anos.
Dos 49.599 estudantes matriculados no período, a maioria continua sendo de paulistas, com 85,6% das vagas. Afinal, a universidade é uma instituição estadual, com seleção própria realizada pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).
Até 2022, candidatos podiam concorrer às vagas na USP pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ligado ao Ministério da Educação (MEC). No entanto, desde então a universidade adotou o Enem-USP: um edital específico que permite o uso da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pleitear o ingresso, também gerido pela Fuvest.
Com a aplicação do vestibular ocorrendo em Fortaleza pela primeira vez, a tendência é que o número de cearenses aumente. Durante palestra para alunos do Farias Brito Pré-Vestibular Central, o diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Mônaco, informou que já há 700 concorrentes inscritos na seleção da Capital. Em 2025, o vestibular teve apenas 90 inscritos do Ceará.
Alunos do Ceará que estudam na USP compartilham experiências
Em 2022, estudar na USP era o “plano B” de André Barros, 21. Natural do Piauí, ele estudou em um colégio particular de Fortaleza desde o ensino fundamental. Apesar de não ter a universidade como foco, o estudante tinha costume de resolver questões da Fuvest como forma de treinar conteúdos para outros vestibulares.
“Eu fazia muito simulados Enem e, nos temas em que eu sentia que estava meio deficitário, estudava fazendo questões nível Fuvest, Unicamp, que são vestibulares mais conteudistas. Foi esse tipo de estudo que eu fiz”, explica.
Hoje, André está no oitavo semestre de Direito. Ele estuda na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, sede da USP que fica no centro histórico de São Paulo, fundada em 1827 – a mais antiga do País. O prestígio do curso e da universidade foi um dos fatores decisivos para a escolha do graduando.
“Os sacrifícios que decorrem de você morar em outro estado são razoavelmente contornáveis comparado a o que é você fazer parte dessa comunidade, você ocupar esse espaço aqui da Universidade de São Paulo”, afirma.

Já Robson Wesley de Sousa Pereira, 30, finalizou o ensino médio na Escola Adauto Bezerra, da rede pública do Ceará, e iniciou o curso de administração na Universidade Federal do Ceará (UFC). No entanto, motivado pelas oportunidades de intercâmbio e pela proximidade de grandes empresas, escolheu mudar para São Paulo e fazer o bacharelado na USP.
“Durante a graduação, eu tive acesso a bolsas e outros apoios que foram primordiais pra minha permanência na universidade. E uma das experiências mais marcantes durante isso foi conseguir uma bolsa de mérito acadêmico que viabilizou meu intercâmbio em Lisboa, em Portugal, algo que eu já desejava”
Os dois alunos chegaram sozinhos, precisaram construir relações “do zero”, como relembra André, mas encontraram na diversidade da USP uma oportunidade de fazer novas conexões.
“A comunicação da diretoria da faculdade com os novos alunos e o acolhimento das entidades estudantis fizeram bastante diferença. Também tive oportunidade de conhecer pessoas de diferentes partes do Brasil, então não me senti tão fora da caixinha. Hoje tenho amigos que são do Rio de Janeiro, do Goiás, Mato Grosso do Sul e de diferentes regiões de São Paulo, como também outros cearenses”, conta Robson.
“Meu grupo de amigos atualmente é de forasteiros. Pessoas que são de fora do estado de São Paulo ou do interior e moram sozinhos. Existe um suporte mútuo sobre isso. Muitas pessoas não vêm da capital, então isso cria uma rede e uma tranquilidade. A maior parte delas também está disposta a conhecer pessoas novas”, diz André.
Estudantes incentivam cearenses a realizar o vestibular
Para André, a aplicação da Fuvest em Fortaleza é uma oportunidade para que os estudantes cearenses vejam a USP como uma opção viável, agora sem a barreira dos custos de viajar apenas para participar da seleção.
“Em termos de capacidade, a formação do Ceará não tem igual. As escolas do Ceará, tanto públicas quanto particulares, forma pessoas plenamente capacitadas para passar na USP”, afirma.
“Pra mim como cearense, é muito simbólico ver uma das principais portas de entrada para a USP ficar mais próxima dos estudantes da minha cidade natal. Eu espero que isso incentive outros jovens de Fortaleza e do Ceará a enxergar a USP como mais uma possibilidade na sua trajetória de vida acadêmica”, encoraja também Robson.
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14.09.2026


