Segundo Amílcar Silveira, o setor produtivo pretende utilizar 100 mil hectares, o que corresponde a aproximadamente 10% de toda a extensão da APA.
Rogério Brito
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, afirmou nesta quarta-feira (2) que a utilização de 100 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe para atividades produtivas seria suficiente para “colocar mais dinheiro na economia do Cariri do que todas as arrecadações das prefeituras da região juntas”.
“Isso é negócio, isso é prosperidade, isso é fortalecer uma agricultura que tem na região”, afirmou.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal Opinião CE e ocorre em meio à repercussão da aprovação do Plano de Manejo da APA da Chapada do Araripe pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo Amílcar, o setor produtivo pretende utilizar 100 mil hectares, o que corresponde a aproximadamente 10% de toda a extensão da APA.
Apesar de defender a expansão das atividades produtivas, Amilcar considerou “razoável” a adoção de “critérios mais rígidos” para a produção na área. Entretanto, ele pontuou que as regras ambientais não devem impedir a utilização econômica de áreas consideradas aptas à produção.
“A nossa legislação ambiental é a mais rigorosa do mundo. Eu estou dizendo que já estive em outros locais e estou afirmando isso. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe essa disposição de ser reserva legal”, declarou.
Na entrevista, Amilcar também criticou o que classificou como uso político das discussões envolvendo o setor produtivo e a APA, afirmando que “políticos aventureiros” estariam se aproveitando da “boa-fé do povo” para fazer críticas aos produtores da região.

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira | Foto: Divulgação
Plano de manejo
A manifestação ocorre dias após o ICMBio esclarecer que a classificação de 89,86% da APA da Chapada do Araripe como Zona de Produção não representa autorização para desmatamento ou expansão irrestrita de atividades comerciais e industriais.
Segundo o instituto, a Zona de Produção permite atividades produtivas compatíveis com uma unidade de conservação de uso sustentável, permanecendo válidas normas como a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais, o licenciamento ambiental, as regras para uso da água e a proteção de espécies ameaçadas.
O Plano de Manejo estabelece seis zonas de ordenamento e, segundo o ICMBio, busca conciliar as atividades já existentes no território com a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e a qualidade de vida das comunidades.
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03.09.2026


