De acordo com Lucas Pena, CEO da Pact, os dados até junho de 2026 reforçam o descompasso entre o volume processual da região e a conversão em acordos, mantendo pressão sobre prazos e capacidade da Justiça do Trabalho.
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a região Nordeste registrou 452.031 novas ações trabalhistas no acumulado de 2026 até junho. No mesmo período, foram realizadas 58.485 audiências conciliatórias. Considerando os últimos 12 meses, o índice de audiências foi de 68,80%, enquanto o índice de conciliação ficou em 19,18% – abaixo da média nacional. Segundo Lucas Pena, CEO da Pact, empresa especializada em gestão e reestruturação de passivo judicial corporativo, apesar do volume expressivo de audiências e dos esforços da Justiça do Trabalho em potencializar as conciliações, especialmente através das Semanas Nacionais e Regionais de Conciliação, os dados indicam que a efetividade na composição de acordos ainda segue limitada frente à demanda.
"Para além da promoção das audiências conciliatórias, a mudança cultural dos litigantes e a adoção de metodologias negociais na composição seguem como desafios para uma justiça menos litigiosa. No Nordeste, o alto volume de audiências não se converte, na mesma proporção, em acordos efetivos, o que amplia o tempo de duração dos processos e pressiona ainda mais a capacidade do sistema. O dado reforça a necessidade de evolução de método: mais previsibilidade, melhor preparação das partes e critérios mais claros para aproximar expectativas e ampliar desfechos consensuais com segurança jurídica", afirma o executivo.
Dados regionais
Ainda de acordo com o CNJ, até 30 de junho de 2026, os índices de conciliação nos tribunais do Nordeste apresentam variação relevante. O melhor desempenho foi registrado pelo TRT19 (Alagoas), com 25,50%, seguido pelo TRT6 (Pernambuco), com 21,85%, e pelo TRT21 (Rio Grande do Norte), com 19,12%. Na sequência aparecem o TRT7 (Ceará), com 18,91%, o TRT22 (Piauí), com 18,46%, o TRT16 (Maranhão), com 18,43%, o TRT20 (Sergipe), com 17,22%, o TRT5 (Bahia), com 16,87%, e o TRT13 (Paraíba), com 16,73%.
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Ranking nacional por Tribunal Regional do Trabalho
O levantamento também revela desempenho desigual entre as cinco regiões do país. O Centro-Oeste lidera com índice de conciliação de 25,52%, seguido pelo Sul, com 22,40%, e pelo Norte, com 21,57% – todas acima da média nacional. Já o Sudeste, região que concentra o maior volume processual do país, registrou índice de 19,82%, e o Nordeste apresentou o menor desempenho entre as regiões, com 19,18%, ambos abaixo da média nacional.
Ainda de acordo com o CNJ, o maior índice de conciliação entre os tribunais regionais foi registrado pelo TRT23 (Mato Grosso), com 41,54%, seguido pelo TRT24 (Mato Grosso do Sul), com 27,24%, e pelo TRT19 (Alagoas), com 25,50%. Na outra ponta, o menor índice do país ficou com o TRT17 (Espírito Santo), com 14,95%. Veja os dados de todos os tribunais regionais no gráfico abaixo:
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"O retrato regional mostra que o problema não é a quantidade de audiências realizadas, mas a efetividade na conversão em acordos. Regiões com menor volume processual, como o Centro-Oeste, conseguem sustentar índices mais altos de conciliação, enquanto regiões mais populosas e com maior concentração de litígios, como o Sudeste, enfrentam mais dificuldade para transformar audiências em desfechos consensuais. Com agenda e organização, a conciliação entrega resultado mensurável. A prioridade é levar essa disciplina para a rotina: conciliar mais cedo, com critérios, para reduzir estoque, encurtar prazos e dar previsibilidade para trabalhadores e empresas", conclui Pena.
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Sobre a Pact – A organização tem origem em 2018 com a criação da startup Pact, uma legaltch de passivo judicial corporativo. Com uma abordagem que une diagnóstico financeiro, compliance e negociação especializada, a empresa chegou a negociar mais de 2 mil acordos nos últimos três anos com mais de 700 advogados adversos, totalizando um risco transacionado superior a R$ 1 bilhão. Entre seus clientes estão Magazine Luiza, Votorantim, CVC, Raízen, iFood e MachadoMeyer. Junto à Legal Insights, a startup fundou em 2023 o Grupo Pact Insights, com serviços complementares para o setor jurídico das empresas, que virou Pact em 2025. A Pact faturou R$ 13,5 milhões em 2024 e projeta um faturamento de R$ 20 milhões para 2025. Saiba mais em: www.pactbr.com
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17.09.2026


