Anúncio feito pelo governo eleva o piso do programa para R$ 691 e o valor médio para R$ 777 a partir da folha de pagamento de outubro
Por Samuel Pimentel
Mais de 3,1 milhões de cearenses devem ser beneficiados com o reajuste de 15% do Programa Bolsa Família, anunciado nesta quinta-feira, 17, pelo Governo Federal. O movimento ocorre a 17 dias do primeiro turno das Eleições de 2026.
Com o aumento linear concedido aos benefícios do programa, o piso dos pagamentos passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio sobe de R$ 691 para R$ 777.
No Ceará, segundo dados atualizados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), foi repassado ao Estado o montante de R$ 920,3 milhões em recursos relativos à folha de setembro.
A medida foi alvo de críticas de opositores e concorrentes eleitorais do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, justifica que o reajuste é embasado na previsão legal de recomposição inflacionária. No acumulado do ano até agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) alcançou 15,04%.
"Nós identificamos que há o espaço fiscal para conceder esse reajuste nos termos que a lei nos autoriza a fazer. O impacto para esse ano, a partir da folha de outubro, é de R$ 5,8 bilhões e para o ano que vem, em torno de R$ 22 bilhões, nós vamos ajustar a lei orçamentária de 2027 para que, dentro do espaço fiscal que nós temos, a gente acomode lá o reajuste do Bolsa Família", afirmou o ministro.
Os valores atualizados do Bolsa Família começam a vigorar na folha de pagamento de outubro de 2026.
"A lei do Bolsa Família nos concede uma autorização para fazer a reposição inflacionária para garantir o poder de compra aos beneficiários do Bolsa Família, que é a população mais vulnerável deste País", completou o ministro.
Paola Carvalho, diretora da Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB), avalia que o reajuste de 15% corrige a perda inflacionária acumulada de março de 2023 a agosto de 2026. A medida tem o poder de proteger a população mais vulnerável que sofre diretamente com o aumento de preços, principalmente de alimentos.
Apesar do debate sobre o impacto fiscal que ampliações de programas sociais geram em alguns setores, Paola enfatiza que o orçamento do programa é de cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que pode ser considerado pequeno diante do benefício social na vida de 19 milhões de famílias, que somam quase 50 milhões de pessoas.
Esse recurso injetado reflete-se na dinamização do comércio local. O dinheiro transferido gera consumo imediato em mercearias e feiras de bairro, movimentando a economia básica dos municípios.
"O dinheiro na mão da população mais vulnerável aquece a economia. Quando a pessoa de menor renda recebe o benefício, ela o gasta imediatamente no consumo básico", aponta Paola.
Outra pauta defendida por entidades sociais como a RBRB é a atualização do limite de renda per capita para ingresso no programa, atualmente fixado em R$ 218 mensais por pessoa. A proposta da entidade é elevar o teto para R$ 250, permitindo a inclusão de novas famílias.
"A gente entende o Bolsa Família, de fato, como um primeiro passo para a renda básica de cidadania. E aí, para dar um segundo passo, a gente precisa ir incluindo mais famílias".
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), no entanto, questionou a decisão do governo federal. O economista-chefe da entidade, João Gabriel Pio, afirmou que política social e responsabilidade fiscal precisam caminhar juntas e alertou que não há clareza em relação à sustentabilidade da medida.
Para Pio, cresce o risco de maior endividamento, juros elevados, crédito mais caro e menor capacidade de investimento para famílias e empresas em razão da redução do espaço fiscal por conta da medida.
Como ficam os valores pagos às famílias?
Os valores reajustados do Bolsa Família, segundo informou o governo federal, começam a vigorar em outubro de 2026. Veja abaixo os detalhes de como ficam os valores dos benefícios:
- Benefício de Renda de Cidadania de R$ 164,00 por integrante;
- Benefício Complementar de até R$ 691,00 para famílias cuja renda total não atinja esse patamar;
- Benefício Primeira Infância de R$ 173,00 por criança com até sete anos incompletos;
- Benefício Variável Familiar de R$ 58,00 por integrante que se enquadre nas situações especificadas no regulamento.
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18.09.2026


