Ceará chega a 15 mil casos de dengue em 2026, quase 4 vezes mais que ano passado - Cariri Ativo - A Notícia Com Credibilidade e Imparcialidade
Anúncio

Ceará chega a 15 mil casos de dengue em 2026, quase 4 vezes mais que ano passado

Ceará chega a 15 mil casos de dengue em 2026, quase 4 vezes mais que ano passado

Compartilhar isso

 

É importante evitar água parada em pneus, vasos, calhas ou outros locaisCrédito: AURÉLIO ALVES

Dados levam em consideração as primeiras 40 semanas epidemiológicas de cada ano. Estado tem o triplo de óbitos registrados durante o surto de 2024

Por Kleber Carvalho

Dois anos após a epidemia que levou todo o País a quase 6 milhões de casos de dengue, o Ceará enfrenta uma nova alta de casos. Nas primeiras 40 semanas epidemiológicas de 2026 (4/1 a 10/10), o Estado soma 15,4 mil confirmações da doença, quase quatro vezes mais que o mesmo período de 2025, quando foram registradas 4,3 mil infecções.

O período de maior atividade do vírus este ano foi entre o início de maio, quando o número de casos semanais saltou de 279 para 408, e a metade de julho, quando atingiu o pico de 1.022 casos em apenas sete dias.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a alta foi motivada por diferentes fatores, dos quais pode-se destacar o período de chuvas do Estado, que ocorre entre fevereiro e maio, e a alta circulação da doença nas regiões Norte, Sul e Litoral Leste do Ceará.

"Esse período coincidiu com a continuidade das chuvas e com a maior circulação do vírus em municípios das regiões Norte, Sul e Litoral Leste. Esses fatores combinados explicam o crescimento observado", explica a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Ana Cabral.

Número de casos semanais de dengue no Ceará de 2024 a 2026

Made with Flourish • Create a chart

A partir da segunda metade de julho, o número de casos semanais começa a diminuir. Na semana seguinte ao pico, o índice semanal cai para menos de mil, chega na casa dos 800 até o fim do mês e encerra a primeira semana de outubro com 29 casos registrados.

O presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI) Luan Victor, explica que essa queda é em grande parte causada pela menor quantidade de chuvas no segundo semestre cearense.

Com escassez de precipitações, as ruas e casas das cidades passam a ofertar menos pontos de água parada, local perfeito para a criação de focos do mosquito.

"São dois motivos. Um a gente sai daquele período de chuvas importantes no Estado para um momento mais seco, onde não vemos tantas chuvas. E o outro sempre que a gente um pico de novos casos, depois notamos a redução dos números. É bimodal também isso", pontua o infectologista.

Outro dado que chama a atenção é a quantidade de mortes decorrentes da dengue no Ceará este ano. Ao todo, 27 pessoas faleceram no Estado vítimas da doença em 2026, três vezes mais que o número de óbitos registrados durante a epidemia de 2024, quando nove pacientes faleceram.

Essa maior letalidade é explicada pela circulação do sorotipo 2 (Denv-2), atribuído a quadros mais graves da doença. Segundo dados da Sesa, ele foi predominante em cerca de 86% das amostras positivas de casos da doença este ano.

"A Sesa reforça a importância de procurar a unidade de saúde logo nos primeiros sintomas e, principalmente, na presença de sinais de alarme como dor abdominal e vômitos persistentes, o que permite acompanhamento adequado e pode evitar complicações", afirma Ana Cabral.

Combate a focos do mosquito continua sendo principal forma de combate à dengue

Pode parecer repetitivo, mas a principal forma de combater o aumento dos casos de dengue é evitando que o mosquito se reproduza. Para isso, é necessário que a população evite deixar água parada em pneus, vasos de plantas, calhas e quaisquer outros locais que possam servir como criadouros do Aedes Aegypti.

Já as medidas de políticas públicas devem contemplar a limpeza urbana e a destinação correta do lixo e esgoto produzidos nas casas e ruas da cidade.

"O grande problema hoje é o acúmulo de lixo. O acúmulo de lixo vai acabar acumulando água parada. E é ali que a gente vai replicar o vetor que é o mosquito. [...] Também buscar dos nossos governantes coleta de lixo regular e saneamento básico. A gente tendo essas duas ações do poder público, acabamos reduzindo também o número de casos", pontua Luan.

Pesquisadores na área das arbovirores têm desenvolvido técnicas para diminuir a capacidade de transmissão do Aedes Aegypti.

Na Capital, por exemplo, desde abril utiliza estações com larvicidas que enfraquecem o mosquito. Já no Eusébio e em Maranguape, municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), começaram o uso de ovos do inseto "enfraquecidos".

Conhecido como método Wolbachia, a tática implanta insetos infectados com uma bactéria que diminui a sua capacidade de transmissão de doenças. O objetivo é que esses exemplares se reproduzam com as fêmeas que pôem os ovos do Aedes Aegypti e resultem em gerações menos nocivas do animal.

"A Sesa prioriza a prevenção e o controle integrado de vetores, associando novas tecnologias, ações de vigilância e controle vetorial e mobilização da população para reduzir a infestação do mosquito e o risco de transmissão das arboviroses no Ceará", conclui Ana Cabral.

opovo.com.br

caririativo.blogspot.com

19.10.2026