Em sabatina do SBT, Lula defende medidas anunciadas durante campanha e rebate criticas sobre Orçamento
Beatriz Nogueira
Criticado por conta de uma série de benesses anunciadas durante a campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em sabatina ao SBT que parte das iniciativas já vinha sendo discutida pelo Congresso Nacional antes do primeiro turno. As ações foram classificadas como eleitoreiras por seu adversário Flávio Bolsonaro (PL). Lula, porém, disse que não deixará de conceder benefícios à população por causa das críticas ou da proximidade da votação em si.
“Não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar por causa da eleição. Eu queria que colocasse antes do primeiro turno, não foi possível e colocou agora. Mas foi importante, porque, independentemente do resultado, o benefício vai continuar para o povo brasileiro”, afirmou o presidente durante entrevista ao SBT, nesta segunda-feira (19).
Sobre o reajuste do Bolsa Família, por exemplo, Lula disse que "ficou muito nervoso" ao saber que o programa não tinha correção desde março de 2023.
"Reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo, a gente não pode deixar de ter. E é importante lembrar que quando foi aumentar para R$ 600, quando o Congresso aprovou, o pessoal meu do PT não queria que a gente deixasse, porque [eles diziam que] aumentar para R$ 600 é eleitoreiro, e eu dei declaração que era importante que aumentasse porque não era possível sacrificar o povo por conta de uma eleição. Agora, se a gente pode fazer a reposição, fizemos a reposição", completou.
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Entre as medidas anunciadas pelo governo estão o reajuste superior a 15% no Bolsa Família, o programa Desenrola 3 e o Prospera MEI, voltado aos microempreendedores individuais (MEIs), com medidas de perdão de dívidas. Recentemente, outra pauta entra em discussão: a gratuidade do transporte público aos fins de semana e feriados, o chamado Passe Livre.
Além dessas iniciativas, a campanha também ocorre em meio à aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, pauta defendida pelo presidente e inicialmente criticada por Flávio Bolsonaro (que acabou votando a favor da medida no Senado). Agora se discute os efeitos das mudanças nas relações de trabalho e seus possíveis impactos econômicos.
Medidas ampliam debate sobre gastos públicos
As iniciativas anunciadas e as propostas em discussão levantam questionamentos sobre o impacto nas contas públicas e a capacidade do governo de conciliar novos gastos com o cumprimento das metas fiscais. No mercado financeiro, persistem dúvidas sobre o compromisso do governo com o equilíbrio das contas.
Questionado sobre as críticas à condução da política fiscal, Lula afirmou que o governo pretende executar as medidas com responsabilidade. O presidente também criticou a atuação do sistema financeiro no debate econômico e relacionou as cobranças sobre o equilíbrio fiscal à pressão exercida sobre a política monetária.
“Estamos gastando com aquilo que sabemos ser possível fazer e vamos fazer com muita responsabilidade. Todo começo de ano o sistema financeiro levanta que vai ter um problema. Você não pode ser presidente da República e não discutir a política monetária porque o Banco Central é independente. Então quem discute? O sistema financeiro, é isso que faz pressão todo santo dia. Começam janeiro falando em déficit fiscal e terminam o ano falando em déficit fiscal. Só não fala do que o governo paga para eles todo ano”, declarou.
A declaração retoma uma divergência recorrente entre Lula e a condução da política monetária. Em 2024, o presidente criticou a atuação do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e questionou o nível da taxa básica de juros (Selic), que chegou a 10,5% ao ano naquele período.
Na época, Lula argumentou que juros elevados prejudicam o crescimento econômico e cobrou mudanças na condução da política monetária, além de questionar a autonomia do Banco Central.
A discussão evidencia um dos principais pontos de tensão da política econômica: de um lado, a defesa de medidas de estímulo à renda, ao consumo e à atividade econômica; de outro, as preocupações com a trajetória da dívida pública, o cumprimento das metas fiscais e os efeitos dessas políticas sobre a inflação e os juros.
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20.10.2026


