A manifestação da vice-reitoria ocorreu após vídeos da visita circularem nas redes sociais com críticas a estudantes e produções artísticas da instituição.
Por Samira Salyorania/Especial para O POVO
A deputada estadual eleita Mayra Pinheiro (PL) e o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, que integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estiveram na Universidade Regional do Cariri (Urca), no último sábado, 10, e criticaram manifestações políticas e produções artísticas encontradas na instituição. Durante a visita, Mayra chamou de “vagabundos” estudantes que, segundo ela, utilizam a universidade pública para fazer militância política contra o Brasil e em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeos publicados nas redes sociais, Mayra afirmou que a visita foi motivada por denúncias de moradores do Cariri sobre manifestações realizadas no campus. Entre os episódios citados pela parlamentar estão a representação de um boneco do senador Flávio Bolsonaro (PL) sendo enforcado e queimado, além da queima da bandeira do Brasil.
Durante a gravação, a deputada também acusou a instituição de abrigar uma “indústria de fake news” e criticou materiais que, segundo ela, seriam utilizados para promover o PT em salas de aula. Mayra questionou o uso de recursos públicos para financiar atividades de militância política e criticou símbolos e produções artísticas expostos nos espaços da Universidade. Em um dos momentos, classificou algumas produções como “lixo”. Queiroga, por sua vez, utilizou a expressão “capeta” ao se referir a uma representação artística.
Em resposta às declarações, a vice-reitora da Urca, professora Socorro Vieira, divulgou um pronunciamento nas redes sociais em repúdio às falas dos dois visitantes. Ela ressaltou que a visita ocorreu durante o fim de semana, em um horário sem estudantes e professores desenvolvendo as atividades acadêmicas habituais, e contestou a forma como os alunos foram descritos.
“ Nossos estudantes não são vagabundos”, afirmou Socorro Vieira. A vice-reitora classificou como inadmissível o uso do termo para se referir aos estudantes e destacou que a Universidade desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão, com a participação de alunos e professores.
Socorro Vieira também defendeu a Urca como uma instituição pública, gratuita e de qualidade, que deve assegurar a liberdade de expressão e o debate democrático. Segundo ela, a pluralidade de ideias é uma característica fundamental do ambiente universitário. Ao final do pronunciamento, a vice-reitora reafirmou o apoio da administração superior aos estudantes e defendeu a Universidade como espaço aberto à discussão, à participação e à manifestação de diferentes ideias.
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14.10.2026


