Desde
o ano de 1964 a Conferência nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante o
período da Quaresma (quarenta dias) desenvolve um tema seja ele de cunho Eclesial
(Igreja), Social, ou em outro segmento da vida brasileira, para que esse
período seja de grande reflexão e ação da Igreja, dos órgãos públicos e da
sociedade como um todo. Assim sendo, a Igreja Católica de todo o Brasil dará início
na próxima quarta-feira de cinzas, 14 de fevereiro, a campanha da Fraternidade
2018 tendo como foco um problema atualíssimo no Brasil e no mundo. O tema será: “Fraternidade e superação da violência”. E
como lema: “Em Cristo somos todos irmãos”
(Cf. Mt 23,8).
Como
sabemos são muitas as formas de violência que assolam o nosso cotidiano. É
muito comum e simples pensarmos a violência apenas em situações como uma briga
após uns goles de pinga ou mesmo uma simples discussão de futebol. Mas a
violência tem uma proporção bem mais acentuada e complexa. São muitas as formas
de violência e queremos ilustrar algumas.
Uma
destas é a violência racial, que embora no século XXI ainda persiste. Quantas
pessoas se julgam melhores do que as outras pela cor de sua pele ou por ter certa
qualidade de vida melhor. São preconceitos contra os negros, os pobres e encarcerados
que muitas das vezes são vítimas de um sistema desumano.
A
violência contra o jovem, não é apenas violência física, mas principalmente
psicológica. As políticas públicas para que os jovens tenham oportunidades na
sociedade são escassas ou inexistentes. Sabemos que essa deve ser uma ação conjunta,
família, Igreja e Poder Público, mas cabe aos poderes constituídos o dever de
desenvolver políticas satisfatórias nas quais os jovens se sintam inseridos e valorizados.
Outro
tipo comum de violência é a doméstica, especialmente contra as mulheres,
idosos, crianças. Quem sabe até mesmo violência contra os animais, que embora
não seja o foco da campanha da fraternidade, não deixa de ser uma expressão de violência. Outra forma de violência
muito presente é a exploração sexual de crianças e mulheres. Os trabalhadores e
trabalhadoras rurais sofrem as consequência da concentração de terras, além da
falta de chuvas. Os narcotraficantes aproveitam-se da fraqueza dos menos
favorecidos, recrutam crianças e jovens para esse mundo violento das drogas,
deixando-os sem nenhuma perspectiva de vida.
No
ambiente político-partidário há também formas de violência. Lembro que
estaremos vivenciando a poucos meses as eleições. Neste tempo os ânimos agitados
provocam contendas. Além disso a desigualdade entre os partidos políticos se
sobressai, por conta de um sistema avassalador os partidos de menor expressão
são suprimidos e o debate democrático fica prejudicado.
Temos
também os excessos praticados por aqueles que deveriam proteger os cidadãos,
que é também uma forma de violência velada.
A
violência no trânsito cresce espantosamente. Quantos condutores de veículos vivem
numa pressa sem limites, e num estresse dominante, o que os leva a não mais
respeitar a vida.
Não podemos deixar também de mencionar a violência
descabida entre as religiões. O fundamentalismo e tradicionalismo supera o diálogo
e o respeito mútuo. Quantos praticantes de alguma religião estão fechados no ‘seu
mundo’ e julgam sua crença mais correta e verdadeira, esquecendo-se que a
verdade absoluta só é o próprio Deus.
A
violência dentro das Igrejas muitas vezes é esquecida. Quantos líderes religiosos tiram proveito dos
menos esclarecidos. Considero a violência disfarçada de bondade como a pior de
todas.
Como
vimos são diversas as maneiras que a violência se apresenta no nosso dia-a-dia.
Que Deus nos ajude para a partir dessa quarta-feira de cinzas refletirmos em
vários segmentos a questão de violência e que esta temática permaneça sendo
debatida após o termino período quaresmal. Busquemos ser como nos propõe o lema
da Campanha da Fraternidade, irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai.



