Autor Maria Eduarda Pessoa
O presidente da França, Emmanuel Macron, receberá o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi dada pelo próprio petista, nesta terça-feira, 16, em Paris. Desafeto de Bolsonaro, Macron pode ampliar a crise entre os dois países, num duro golpe à diplomacia do presidente brasileiro.
A relação entre Brasil e França vive momento de tensão constante nos últimos dois anos. A situação ficou ainda mais difícil quando Bolsonaro deixou de receber o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, em uma visita ao Brasil, em 2019. O encontro estava agendado e, poucos minutos antes, o presidente brasileiro decidiu cancelar a conversa. No lugar do encontro, ele fez uma live cortando o cabelo.
Naquela época, o jornal Le Monde indicou que fontes da diplomacia francesa indicaram que o ministro esnobado por Bolsonaro manteve "a calma dos velhos de guerra". Dois anos depois, ele não recebeu o chefe da diplomacia do presidente brasileiro.
Outros episódios também marcaram a relação bilateral. Durante a cúpula do G7, em 2019 na França, Macron deixou o Brasil de fora e convidou o Chile como o interlocutor latino-americano. Dias depois, o chefe de Estado em Paris foi alvo de ataques por parte de Bolsonaro, que sugeriu uma crítica à aparência da esposa do presidente francês.
Macron, naquele mesmo evento, falou na internacionalização da Amazônia, ampliando a crise entre os dois países. O atrito, porém, ganhou novos patamares quando Macron passou a ser um dos principais opositores à ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, sob o argumento de que as políticas ambientais do país não atendiam os critérios europeus.
opovo.com.br
17.11.2021


