A acusação foi apresentada no último dia 14 de dezembro, pela 1ª Promotoria de Justiça de Crato. A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso com exclusividade aos autos, nos quais o promotor pede instauração de ação penal contra Cícero, que ele seja citado e “após o interrogatório do réu e os debates, estando comprovado e provado o dito na presente denúncia, seja julgada procedente a ação penal, com a condenação do réu”.
De acordo com o promotor de Justiça, José de Deus Terceiro Pereira Martins, Cícero Agra teria praticado violação sexual durante atendimentos realizados nos municípios do Crato e em Juazeiro do Norte, onde atua como acupunturista. O advogado do médico disse à Polícia que as alegações são falsas e quando contactado pela reportagem nesta segunda-feira (20) preferiu se abster de emitir posicionamento até o momento.
Vitimas
Uma das vítimas conta que no dia 21 de maio de 2021, por volta das 12h, foi até o bairro Centro, no Crato, onde está localizada a clínica na qual Cícero atendia. Naquele dia, a ideia era passar por uma consulta de acupuntura e homeopatia, mas a mulher, de identidade preservada, notou algo estranho instantes depois.
A vítima relata ter ficado constrangida com as atitudes do médico durante a consulta realizada “de forma diferente da habitual”. Segundo ela, ele massageou suas costas e seios por mais de uma vez. “Na ocasião o profissional teria ainda feitos perguntas de cunho pessoal, tendo ainda lhe dado puxões de cabelo, descido a sua calça e a tocado demoradamente na região lombar”, conforme consta na denúncia.
A paciente só teria percebido que as atitudes do denunciado possuíam conotação sexual quando ao sair da sala o médico lhe deu algumas tapas nas nádegas.
Outra vítima que chegou a ir à delegacia prestar depoimento contra Cícero Agra disse ser paciente dele desde criança, e quando foi crescendo passou a perceber que o homem realizava procedimentos que a incomodava “tendo em muitas ocasiões percebido que este roçava as coxas e partes intimas dele nas suas, quando esta estava deitada na maca. Em outros momentos tirava sua calcinha e fica acariciando seu bum-bum muito embora seu problema fosse nas costas”.
Uma testemunha que trabalhou junto ao acusado confirmou as declarações das vítimas e contou aos investigadores que uma vez recebeu o seguinte pedido: “Não me deixa mais sozinha aqui com o médico”. Ao indagar o porquê do pedido, a paciente preferiu não detalhar o que aconteceu “porque tinha muita vergonha”.
A reportagem apurou que durante interrogatório o médico disse que as acusações das pacientes eram inverídicas e que as mulheres estavam querendo o prejudicar. Para o MPCE, Cícero Valdizébio Pereira Agra se utilizou da sua condição para “praticar ato libidinoso com suas pacientes, mediante fraude e outro e meio que impediram ou dificultaram a livre manifestação de vontade das vítimas”.
Aécio Mota, advogado que representa as pacientes, afirmou que como o caso segue em segredo de Justiça não poderia “tecer maiores comentários. Todavia, permanecemos acompanhando o caso”. Aécio afirma que pelo menos outras duas vítimas se encorajaram a denunciar o profissional e acredita que mais mulheres que passaram pelo consultório do acusado devem comunicar abusos em breve.
“Muitas, sequer comunicaram os fatos a seus familiares mais próximos ainda. Continuaremos nosso trabalho para que seja feita Justiça e de alguma forma, seja amenizada a dor dessas vítimas. O papel da imprensa, neste caso é fundamental, para encorajar outras mulheres que passaram pela mesma situação a denunciar. Ressaltamos a importância para que as mulheres que tenham sofrido algum tipo de violência sexual por parte deste médico denunciem”, destacou o advogado.


