A região do Cariri registrou nove prisões por violência doméstica durante a virada de ano. É o que indica o balanço fornecido nesta segunda-feira, 3, pelo comandante do Segundo Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Patrício Santana. Durante a operação “Final de Ano”, que também ocorreu simultaneamente em todas as regiões do Ceará, ainda foram registradas seis prisões por porte ilegal de armas de fogo.
Segundo Patrício Santana, o número expressivo de casos de violência doméstica na região é muito alarmante. "Durante o período, ainda foram registradas outras seis prisões por furto ou roubo na nossa região, além de algumas ocorrências de acidentes de trânsito e de perturbação do sossego alheio", detalhou em entrevista à rádio CBN Cariri. O tenente-coronel declarou ainda que a região contou com um reforço de policiamento com escalas operacionais extras.
Durante o período, também ocorreu, simultaneamente, a operação "Redoma". A ação consiste na ocupação por agentes de determinados bairros com maior índice de crimes, como homicídios, roubos e furtos. A força-tarefa é feita de forma integrada com outras forças especializadas, como o Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), o policiamento de Meio Ambiente, a Cavalaria, além das parceiras Polícia Civil, Demutran e Guarda Municipal.
Segundo o militar, o saldo positivo de capturas é resultado do desse aporte policial em áreas mais críticas. “Principalmente aqui na cidade de Juazeiro do Norte, nós temos uma região onde se concentra o que chamamos de mancha criminal. São os bairros do Triângulo, Jardim Gonzaga, Santa Teresa, conhecido como Faixa de Gaza, e João Cabral. No Crato, podemos citar os bairros do Seminário, do Gesso, e o Minha Casa Minha Vida, que fica no bairro Barro Branco”, declarou o tenente-coronel Santana.
Segundo a Polícia Militar, as operações de combate ao crime irão se estender ao longo de todo o ano de 2022. O comandante do 2° BP dá orientações de como a população pode contribuir para o combate ao crime no Cariri. “Se acontecer [algum crime], não deixe de comunicar através da realização de um Boletim de Ocorrência, de acionar a nossa Central de Operação, que é a Ciops, através do 190, para que a gente possa direcionar o nosso policiamento especializado para o local do crime”, disse Santana.
Violência contra a mulher - o que é e como denunciar?
A violência doméstica e familiar constitui uma das formas de violação dos direitos humanos em todo o mundo. No Brasil, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, caracteriza e enquadra na lei cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.
Entenda as violências:
Violência física: espancamento, tortura, lesões com objetos cortantes ou perfurantes ou atirar objetos, sacudir ou apertar os braços.
Psicológica: ameaças, humilhação, isolamento (proibição de estudar ou falar com amigos).
Sexual: obrigar a mulher a fazer atos sexuais, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição, estupro.
Patrimonial: deixar de pagar pensão alimentícia, controlar o dinheiro, estelionato.
Moral: críticas mentirosas, expor a vida íntima, rebaixar a mulher por meio de xingamentos sobre sua índole, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir.
A Lei 13.104/15 enquadrou a Lei do Feminícidio - o assassinato de mulheres apenas pelo fato dela ser uma mulher. O feminicídio é, por muitas vezes, o triste final de um ciclo de violência sofrido por uma mulher - por isso, as violências devem ser denunciadas logo quando ocorrem. A lei considera que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Veja como buscar ajuda:
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
Casa da Mulher Brasileira
A Casa da Mulher Brasileira é referência no Ceará no apoio e assistência social, psicológica, jurídica e econômica às mulheres em situação de violência. Gerida pelo Estado, o equipamento acolhe e oferece novas perspectivas a mulheres em situação de violência por meio de suporte humanizado, com foco na capacitação profissional e no empoderamento feminino.
Telefones para informações e denúncias:
opovo.com.br
04.01.2022


