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Cientistas acham planeta do tamanho da Terra e coberto por vulcões

Cientistas acham planeta do tamanho da Terra e coberto por vulcões

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Representação artística do LP 791-18 d, na constelação de Cratera Crédito: NASA’s Goddard Space Flight Center/Chris Smith
Equipe usou telescópio da Nasa para analisar dados de sistema estelar na constelação Cratera; planeta "LP 791-18 d" está na zona habitável de sua estrela.

Autor Bemfica de Oliva

Uma equipe de cientistas da Universidade de Montreal, no Canadá, encontrou um exoplaneta do tamanho da Terra coberto de vulcões. Com o pouco convidativo nome de "LP 791-18 d", o corpo celeste está na constelação de Cratera, a cerca de 86 anos-luz de nós.

Este não é o primeiro planeta a ser descoberto naquele sistema estelar, com os "irmãos" LP 791-18 c e LP 791-18 b já sendo conhecidos. Alguns aspectos do novo integrante da família, porém, chamam atenção.

Um deles é que o LP 791-18 d está na chamada "zona habitável" da estrela à qual orbita. O termo é usado para descrever a região do espaço ao redor de um astro na qual é possível haver água líquida - pelo conhecimento atual da ciência, fator indispensável para o surgimento de seres vivos.

Juntando este fato à forte presença de vulcões, é possível que o LP 791-18 d tenha uma atmosfera formada. Isto representa mais um passo na direção de um planeta que pode sustentar formas de vida.

A descoberta foi feita usando ferramentas da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). O satélite Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) e o recém-aposentado telescópio espacial Spitzer foram fundamentais para encontrar o novo planeta.

Os vulcões do LP 791-18 d parecem estar intimamente ligados aos outros planetas do sistema. LP 791-18 b e LP 791-18 c passam muito perto um do outro durante sua órbita, gerando um grande "puxão" gravitacional, que interfere no núcleo do LP 791-18 d e cria a atividade sísmica.

Outro detalhe é que o LP 791-18 d está em uma situação chamada "travamento de maré" em relação à estrela. Isso significa que uma face do planeta está sempre voltada para o astro, enquanto o outro lado está sempre na penumbra. A situação é similar à que ocorre entre a Lua e a Terra - o satélite natural se mantém em posição fixa em relação ao nosso campo de visão.

Por isso, o clima em LP 791-18 d provavelmente é composto por dois extremos: no lado voltado à estrela, é sempre dia, e a temperatura permanece alta. No outro, há uma noite eterna, com frio constante. Nesta situação, a parte habitável do planeta seria uma faixa na divisão entre os hemisférios, similar à região dos trópicos na Terra.

O artigo sobre a descoberta do LP 791-18 d foi disponibilizada pela equipe responsável na edição de maio da revista Nature. O periódico, de acesso restrito, é uma das mais prestigiadas publicações científicas mundiais.

opovo.com.br

19.05.2023