Legenda: Levantamento foi divulgado nessa terça-feira (25), Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Imagem é da oitava edição da Marcha das Mulheres Negras de São PauloFoto: Paulo Pinto/Agência BrasilO estudo de abrangência nacional foi feito em 127 municípios das cinco regiões do país
DESIGUALDADE
Para a pesquisa, os marcadores sociais de raça, cor e etnia são considerados os principais aspectos que explicam as desigualdades para 44% dos brasileiros. Somente 65% da amostra concorda totalmente (57%) ou em parte (8%) com a criminalização do racismo no país. O que mais tem peso para determinar o grau de desigualdade social é a classe social, indicada por 29% dos que responderam à pesquisa.
O estudo de abrangência nacional foi feito em 127 municípios das cinco regiões do país. As entrevistas com os participantes foram feitas ao longo do mês de abril.
Segundo a pesquisa, das 2 mil pessoas ouvidas, 79% concordam que a abordagem policial é baseada na cor da pele, tipo de cabelo e tipo de vestimenta, sendo que 63% das pessoas ouvidas concordam totalmente com essa afirmação e 16% apenas parcialmente. Um total de 84% concorda que pessoas brancas e negras recebem tratamentos diferentes por parte da polícia, sendo que 71% concordam totalmente e 13%, em parte.
RECONHECIMENTO DE ATITUDES RACISTAS
Um dos pontos da pesquisa que merece atenção é a contradição entre os dados. Ao mesmo tempo em que os brasileiros afirmam conviver com o racismo, apenas 11% deles reconhecem cometer atitudes racistas e 10% afirmam trabalhar em instituições racistas, o que lembra uma situação já vista em levantamentos sobre violência contra a mulher, em que uma minoria diz conhecer os autores das agressões.
Outros dados que confirmam as contradições são os referentes à parcela que aponta familiares como os agentes que praticam racismo (12%), a que identifica pessoas de seu círculo (36%) e a que declara estudar em instituições de ensino em que o racismo está enraizado (13%). A maior proporção diz respeito aos respondentes que dizem conviver com as vítimas do racismo, de 46%.
"O que aparece aqui é que os brasileiros são incapazes de reconhecer como o racismo se materializa na rotina, no dia a dia, que é uma dimensão individual, e também nos espaços em que circulam, tanto públicos como privados, que têm uma dimensão coletiva", observa o coordenador de projetos do Instituto de Referência Negra Peregum, Márcio Black.
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28.07.2023


