Por: Leopoldo Martins
Advogado
Membro Efetivo da Comissão Eleitoral da OAB/CE
A julgar pela recente postagem que anuncia, com pompa e circunstância, a data de lançamento da “Expocrato 2026”, tudo parece caminhar nos trilhos da organização e do planejamento. Mas basta uma leitura menos empolgada — e um pouco mais atenta — para perceber que, na verdade, o que está sendo lançado não é propriamente a feira agropecuária, mas sim o festival que gravita em torno dela. Em outras palavras: o show já tem data, mas o boi segue sem curral.
A propaganda oficial fala em edição memorável, grandes atrações musicais e muita energia. Nada contra a energia — desde que ela não seja usada apenas para iluminar o palco enquanto o agronegócio permanece no escuro. O anúncio de vendas de ingressos e divulgação de line-up reforça aquilo que, há tempos, o pequeno agricultor e o pecuarista já perceberam: a Expocrato virou o festival da Expocrato.
Enquanto o organizador do entretenimento já marcou até o dia de anunciar inovações e contratações artísticas, os responsáveis pelo setor agropecuário seguem em absoluto silêncio. Nenhuma reunião com pequenos agricultores, criadores ou representantes do agronegócio foi convocada. Nenhuma discussão sobre modernização do modelo. Nenhuma proposta de controle mais eficiente das verbas arrecadadas com a venda de espaços — e, principalmente, com o estacionamento, essa verdadeira mina de ouro pavimentada.
O mais curioso é que, mesmo após o encerramento da última edição, a população ainda aguarda a tão prometida prestação de contas do que foi arrecadado com esses itens. Transparência, ao que parece, também não entrou na programação oficial.
Assim, enquanto o palco se moderniza e o festival se profissionaliza, o agronegócio continua fora dos trilhos, esperando que alguém lembre que a feira nasceu do campo — e não do camarote.
Fonte: facebook.com/franciscoleopoldo.martinsfilho
caririativo.blogspot.com
25.02.2026


