Autor Bianca Mota
Após o desfile carnavalesco da Acadêmicos de Niterói repercutir por levar à avenida um samba-enredo em homenagem ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus, criticou a apresentação da escola de samba.
Ao discursar no encerramento de uma convenção da igreja em Perus, no interior de São Paulo, na segunda-feira, 16, ele afirmou que a agremiação desrespeitou sua fé e declarou que os responsáveis “terão câncer”.
“A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, vão lembrar com quem mexeu”, afirmou o religioso.
Elias Cardoso também disse que não há necessidade de recorrer ao Ministério Público para formalizar qualquer medida contra o desfile. Segundo ele, a resposta virá de Deus diante do que classificou como provocação à Igreja.
“A Igreja não tem adúlteros, maconheiros, fumadores, drogados, prostitutas e bagunceiros, mas colocaram a mão [nela]. A Igreja do senhor está coberta, amparada pelo juiz do Supremo Tribunal Celestial, ele vai responder”, declarou.
Homenagem a Lula na Sapucaí
Estreando no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói apresentou no domingo, 15, na Marquês de Sapucaí, o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula operário do Brasil”.
A escola terminou em último lugar no Grupo Especial e voltará à segunda divisão em 2026, resultado que gerou forte repercussão política.
O presidente acompanhou o desfile no Sambódromo ao lado da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva – conhecida popularmente como Janja – além de ministros, autoridades e aliados políticos.
A participação de Janja na homenagem chegou a ser cogitada, mas foi cancelada. A primeira-dama decidiu não desfilar para evitar questionamentos na Justiça Eleitoral e possíveis desgastes com a base do governo.
Na nota divulgada, a primeira-dama destacou que "mesmo com toda segurança jurídica" de que poderia participar do desfile, optou por não fazê-lo "para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida".
O presidente e a primeira-dama acompanharam o desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), e desceram na Sapucaí para cumprimentar integrantes das escolas.
Em sua nota, Janja mencionou o fato de o presidente descer para apoiar a escola que o homenageou e classificou a agremiação como "extremamente corajosa" por "enfrentar tudo e todos" para levar o enredo para a avenida.
"Essa noite foi uma noite de celebração à cultura brasileira, ao presidente Lula e ao maior espetáculo da terra, que é o desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro", finalizou Janja.
Também gerou críticas a ala chamada “Neoconservadores em conservada”. Na composição, a escola representou a chamada “família tradicional” — casal heterossexual com filhos — dentro de latas de conserva. As fantasias também trouxeram referências a evangélicos, militares e mulheres brancas.
Presidente do PT critica oposição
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, reagiu às críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói e classificou como "ridícula" a tentativa de transformar a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em desgaste político.
"Tentar desgastar o presidente politicamente por conta das escolhas de alegorias da Acadêmicos de Niterói chega às raias do ridículo. O povo brasileiro merece um debate político mais qualificado", disse o dirigente partidário em entrevista à CNN Brasil.
Edinho afirmou que Lula "sempre teve uma relação de muito respeito com a comunidade evangélica" e negou que a polêmica possa afetar esse vínculo. Segundo ele, críticas de congressistas oposicionistas não devem desgastar a relação com o segmento religioso.
"Os líderes das igrejas sempre tiveram no presidente um aliado na construção de políticas públicas para o fortalecimento das famílias brasileiras", disse.
O presidente e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, acompanharam o desfile no camarote da prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), e desceram na Sapucaí para cumprimentar integrantes das escolas.
opovo.com.br
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20.02.2026


