Rogério Brito
Representantes do Ministério Público do Ceará (MPCE) estiveram, na última sexta-feira (27), no quilombo Serra dos Mulatos, em Jardim, no Cariri, para discutir e adotar medidas de proteção às lideranças da comunidade. Os moradores relatam ameaças de morte após a titulação definitiva de suas terras, ocorrida em novembro de 2025.
A mobilização ocorre pouco mais de um mês depois de a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativo do Ceará (Alece) encaminhar denúncias aos órgãos de segurança sobre intimidações contra integrantes da comunidade, incluindo tentativas de restringir a circulação no território.
A ação foi conduzida pelo Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv). Durante a agenda, o promotor de Justiça André Barroso se reuniu com representantes da Prefeitura de Jardim e, em seguida, visitou a localidade de Serra Boca da Mata, onde está situado o território quilombola. A comitiva também esteve na sede da associação comunitária.
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Segundo o promotor, o objetivo foi articular ações integradas nas áreas de segurança pública, saúde, assistência social, apoio jurídico e acompanhamento psicológico, a fim de garantir a permanência da comunidade em sua área tradicional e prevenir novos episódios de violência.
“A presença física do Ministério Público nas comunidades tradicionais garante escuta ativa, diálogo intercultural e atendimento humanizado, evitando vitimização secundária e fortalecendo a confiança da população nas instituições de proteção do Estado”, afirmou.
O quilombo Serra dos Mulatos está estabelecido na região do Cariri há mais de 200 anos e descende de José dos Santos, conhecido como “José Mulato”, que dá nome ao território. A comunidade possui certificação de autodefinição emitida pela Fundação Cultural Palmares, publicada no Diário Oficial da União em 15 de junho de 2021.
miseria.com.br
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03.03.2026


