Documentos internos da atual Meta, antigo Facebook, revelaram que empresa estava ciente do potencial viciante das plataformas.
A descoberta foi feita a partir de documentos internos da empresa obtidos pela Justiça americana em um processo movido por uma jovem de 20 anos.
A mulher, que criou contas no YouTube aos 8 e no Instagram aos 9 anos, processou as empresas por danos à saúde mental.
Por conta do processo, as empresas foram obrigadas a entregar documentos internos à Justiça, onde foi revelado que o Facebook acompanhava usuários do Brasil, da Índia e dos EUA que relatavam relação de mal-estar com as redes sociais.
Pela existência destes relatórios, o júri do caso da jovem estadunidense de 20 anos compreendeu que as empresas tinham consciência dos riscos de uso das redes e foram negligentes.
"Uso problemático" das redes
Um dos relatos avaliados pelo Facebook foi de um brasileiro à época com 24 anos que afirmava que o tempo que gastava na rede não era “saudável” e que abria o aplicativo a cada meia hora.
Nos documentos internos, a empresa compreendia “uso problemático” como aquele em que havia “falta de controle” e “culpa”.
Entre impactos disso, estavam listados perda de produtividade, problemas em relações e distúrbios do sono.
Em relação ao julgamento no qual foi considerada negligente, a Meta se posicionou afirmando discordar do veredito e avaliar opções legais. Ela e o YouTube planejam recorrer da decisão.
Outras redes sociais também citadas no processo, como o Snapchat e o TikTok, fecharam acordos com a jovem antes do julgamento ter início.
Busca por aumentar o número de usuários adolescentes
Trocas de emails entre diretores do Facebook datadas do fim de 2016 também foram divulgadas a partir do processo.
Nelas, um deles afirmou que a “prioridade zero” da empresa na época era aumentar o número de usuários entre os adolescentes, em especial nos EUA.
Um dos planos era crescer em escolas que tinham muitos usuários de iPhones.
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06.04.2026


