Autor Vítor Magalhães
A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã abriu uma nova crise internacional envolvendo duas das autoridades norte-americanas mais influentes do mundo na atualidade: o presidente dos EUA, Donald Trump; e a maior liderança da Igreja Católica, o papa Leão XIV, natural de Chicago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos.
A divergência teve início com um texto crítico do político contra o representante religioso e contra a postura dele e da Igreja em determinadas temáticas. Leão respondeu, afirmando que continuará falando contra a guerra e que suas palavras não são destinadas como ataques a ninguém, mas citando trechos claros do Evangelho.
Posteriormente, Trump publicou uma imagem, com uso de Inteligência Artificial (IA) onde aparece com roupas que remetem a figura de Jesus Cristo e simula a cura de uma pessoa enferma. Após críticas, ele apagou a publicação e ele afirmou que se via "como um médico" na montagem. As divergências entre Leão e Trump não são novas. No ano passado, o papa já havia criticado publicamente o tratamento do governo americano aos imigrantes.
Trump chama papa de "fraco"
No último domingo, 12, Trump usou o perfil em uma rede social para criticar o pontífice, que é o primeiro papa na história dos EUA. O presidente fez um texto longo e crítico, se referindo ao líder religioso como "fraco no combate ao crime e terrível em política externa".
Ele também fez críticas à postura da Igreja Católica e de outras organizações cristãs durante a pandemia de Covid-19 e citou o irmão do papa, Louis, alegando que ele seria um apoiador da gestão Trump e afirmando gostar mais dele do que do papa.
"Não quero um papa que ache normal o Irã ter armas nucleares. Não quero um papa que ache terrível que os EUA tenham atacado a Venezuela, um país que enviava quantidades enormes de drogas e, pior ainda, esvaziava suas prisões, incluindo assassinos e traficantes, para o nosso país. E eu não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por estar fazendo aquilo para o qual fui eleito".
Na sequência, Trump disse que Leão deveria ser grato a ele e insinuou que o papa só teria sido escolhido para o posto porque é americano e porque a Igreja teria achado que essa seria "a melhor maneira" de lidar com a atual administração dos EUA. "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", disparou.
Por fim, o líder político afirma que Leão "deveria se comportar como papa" e "não como um político".
Leão XIV cita o Evangelho: "Bem-aventurados os pacificadores"
Nesta segunda-feira, 13, Leão reagiu ao que Trump falou sobre ele em relação à guerra EUA-Israel no Irã. A repórteres, o pontífice declarou que os apelos do Vaticano por paz e reconciliação estão enraizados no Evangelho, e que ele não teme a administração do pais onde nasceu.
"Acho que a Igreja tem o dever moral de se pronunciar com total clareza contra a guerra e a favor da paz e da reconciliação", afirmou, embora tenha reiterado que não se considera um "político" e que não tem a intenção de "entrar em um debate" com o presidente americano.
"Colocar minha mensagem no mesmo nível do que o presidente tentou fazer aqui, acho que é não entender qual é a mensagem do Evangelho", disse Leão XIV a bordo do avião papal a caminho da Argélia. "Lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da igreja no mundo de hoje".
O religioso enfatizou que não estava fazendo um ataque direto contra Trump ou qualquer outra pessoa com seu apelo geral por paz e críticas à "ilusão de onipotência" que alimenta guerras no Irã e outros conflitos ao redor do mundo.
"A mensagem do Evangelho é muito clara: 'Bem-aventurados os pacificadores'", disse Leão, acrescentando: "Continuarei a falar fortemente contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo entre os estados para encontrar soluções".
Após as declarações de Leão XIV, Trump se recusou a pedir desculpas e voltou a chamá-lo de "fraco".
Por sua vez, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, qualificou como "inaceitáveis" as palavras de Trump. "O papa é o chefe da Igreja Católica, e é justo e normal que peça a paz e condene todas as formas de guerra", afirmou a premiê em um comunicado.
Imagem polêmica
Após as críticas ao papa, Trump usou as redes sociais em tom provocativo. Ele publicou uma ilustração, feita com auxílio de Inteligência Artificial (IA), em que aparece vestido com roupas que remetem a Jesus Cristo. Na publicação, Trump aparece num cenário que tem uma águia, a bandeira dos Estados Unidos e a Estátua da Liberdade (símbolos nacionais) na composição.
Ele está cercado por militares, uma enfermeira, e trajado com roupas que lembram a figura de Cristo (bata branca com um tecido vermelho por cima). Na cena, Trump encosta a mão na cabeça de um homem, que está deitado e aparenta estar enfermo. Da figura do presidente, emana uma luz dourada, remetendo a uma espécie de poder divino ou de cura. A foto foi deletada após críticas.
Com informações da Agência Estado e AFP
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14.04.2026


