A prisão foi cumprida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) como um desdobramento da Operação Traditori, que deteve cinco vereadores em março.
Weder Basílio (PP), vereador de Morada Nova, foi preso nesta terça-feira (5) em meio a investigação sobre o trânsito financeiro de uma facção criminosa local. Com o encaminhamento dado pela Operação Consorte, a Câmara Municipal chegou à marca de seis parlamentares detidos sob suspeita de envolvimentos com grupos criminosos.
A ação foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) como um desdobramento da Operação Traditori, que teve o município como um dos alvos em março. À época, os vereadores Hilmar Sérgio (PT), Gleide Rabelo (PT), Régis Rumão (PP), Júnior do Dedé (PSB) e Cláudio Maroca (PT) foram presos.
A facção Guardiões do Estado (GDE) teria bancado a campanha eleitoral do grupo, com contrapartidas políticas e “proteção institucional". Foi o que apontou relatório da 93ª Zona Eleitoral – no qual Weder também foi citado – na ocasião da expedição dos primeiros mandados.
Ele era investigado como parte do núcleo político devido a movimentações financeiras expressivas e relações com outros investigados. No entanto, o juiz indeferiu o pedido de prisão preventiva anterior por considerar que, até então, seus fluxos financeiros podiam estar ligados ao seu alto poder aquisitivo e empresas, não havendo provas de diálogos de cunho criminal explícito.
Como o processo é sigiloso, não é possível verificar como a investigação evoluiu e que novos indícios motivaram as ações desta terça-feira contra Weder Basílio.
Segundo a Polícia Federal (PF), nesta fase, o foco da operação "é a desarticulação financeira da organização criminosa, com ênfase na apuração de crimes de lavagem de capitais e delitos correlatos".
No Ceará, além de Morada Nova, os agentes cumprem mandados em Fortaleza, Aquiraz, Jaguaribara e Ibicuitinga. Os trabalhos também se estenderam a Minas Gerais, com diligências em Belo Horizonte.
Procurada pela reportagem, a Presidência da Câmara Municipal de Morada Nova informou que não foi notificada formalmente sobre a prisão de Weder Basílio.
Defesa se pronuncia
Em contato com o PontoPoder, a defesa do vereador lamentou a falta de acesso ao conteúdo da decisão de prisão, “enquanto se verifica uma enxurrada de notícias e entrevistas do delegado responsável”.
“Todas as providências jurídicas serão tomadas não só para revogar a prisão ilegal, bem como para esclarecer fatos que apesar de tratados como certos pelo delegado responsável, ainda estão sob apuração”, declarou.
“Vale dizer que na referida entrevista o delegado menciona um escritório de contabilidade, como se fosse do próprio investigado, quando na verdade é um escritório com sede vizinha ao local da sede da empresa. A atividade empresarial está sendo tomada como se fosse um crime, simplesmente por movimentar altos valores financeiros. Há poucos meses esse mesmo pedido de prisão havia sido negado”, complementou.
A defesa ainda disse que confia no restabelecimento célere da justiça, “não obstante nada devolva ao investigado os dias que passará preso ilegalmente”.
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06.05.2026


