Autor Kaio Pimentel
O Ceará encerrou a quadra chuvosa de 2026 com 53, 82% da capacidade hídrica total armazenada nos 144 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
A informação foi divulgada durante o prognóstico final do período nesta segunda-feira, 1º.
Há 27 açudes vertendo, incluindo o Orós, segundo maior reservatório do Estado, que voltou a sangrar pelo segundo ano consecutivo.
Os dados refletem uma quadra chuvosa considerada dentro da normalidade, com um total de 48 açudes em sangria.
Aporte hídrico é terceiro melhor valor da última década, superando 2025
Ainda conforme a Cogerh, o aporte total de água registrado nos reservatórios em 2026 foi de 6, 95 bilhões de metros cúbicos (m³), superior ao volume aportado em 2025, que foi de 6, 13 bilhões de m³.
Número é o terceiro melhor valor dos últimos 10 anos, ficando atrás de 2024 (10, 2 bilhões de m³) e de 2023 (7, 1 bilhões de m³).
Dados não consideram o aporte aos açudes do sistema integrado metropolitano (composto por Pacoti, Pacajus, Riachão e Gavião), que recebem água também de forma artificial por transferência de outras unidades.
Veja aportes nos açudes do Ceará de 2017 a 2026:
- 2017: 1, 45 bilhões de m³;
- 2018: 2, 37 bilhões de m³;
- 2019: 2, 84 bilhões de m³;
- 2020: 5, 99 bilhões de m³;
- 2021: 1, 75 bilhões de m³;
- 2022: 5, 14 bilhões de m³;
- 2023: 7, 18 bilhões de m³;
- 2024: 10, 26 bilhões de m³;
- 2025: 6, 13 bilhões de m³;
- 2026: 6, 9 bilhões de m³.
Bons cenários foram registrados no Norte, Centro-Sul, Cariri e Curu
Entre as bacias hidrográficas, os melhores níveis de acumulação concentram-se nas regiões mais ao norte, segundo a Cogerh.
A Bacia do Litoral apresenta 98, 8% da capacidade total armazenada, seguida pela Bacia do Coreaú, com 94, 7%, e pela Bacia do Acaraú, com 86%.
Bacia da Serra da Ibiapaba registra 83, 9% da capacidade total acumulada, consolidando um cenário confortável para o abastecimento.
Adiante, no centro-sul, especificamente na Bacia do Alto Jaguaribe registra 96% da sua capacidade total armazenada. Diante disso, foi possível com que houvesse sangria do açude Orós.
Ao sul do Cariri, a Bacia do Salgado marcou 72, 7%, ao passo que na Bacia do Curu houve 62, 5%.
Médio Jaguaribe, Banabuiú e Sertões de Cratéus
Na região do Médio Jaguaribe, onde se localiza o açude Castanhão, maior reserva estadual, o acúmulo foi de 33, 5%.
Já a Bacia do Banabuiú, no Sertão Central, registra 32, 3% da capacidade.
"Apesar do cenário de atenção, a região também apresentou aportes importantes durante a quadra chuvosa", destacou a Cogerh.
Em Mombaça, o açude Serafim Dias voltou a verter após 15 anos.
A situação mais crítica permanece na Bacia dos Sertões de Cratéus, com cerca de 20, 9%, sendo "a região de menor acumulação hídrica do Estado", definiu a Companhia.
Bacias Metropolitanas marca 60, 8%
Índice satisfatório, o nível de acumulação foi de 60, 8% nas Bacias Metropolitanas.
Há um déficit aproximado de 33% sobre o sistema integrado — responsável pelo abastecimento hídrico da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) — no que se refere a 2025.
Neste ano, o dado foi de 58%, distanciando dos 91% anteriores.
Para lidar com a questão, houve operações de transferência do Castanhão para a RMF e Aracoiaba a Pacajus.
Cogerh garante que não há prejuízos.
Além disso, foi feita a ativação da Estação de Bombeamento de Itaiçaba, com cerca de 800 litros por segundo para o rio Jaguaribe, por meio do Canal do Trabalhador, em direção a Pacajus.
A operação segue prevista até meados de junho.
opovo.com.br
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02.06.2026


