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Derrota nas urnas, investigações e pressão familiar: o que pode explicar fuga de Flávio Bolsonaro

Derrota nas urnas, investigações e pressão familiar: o que pode explicar fuga de Flávio Bolsonaro

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Manifestantes em ato em São Paulo, com Flávio Bolsonaro, pedem impeachment de Alexandre de Moraes no STFCrédito: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

Investigado em dois inquéritos no STF, senador teve passaportes cancelados e foi proibido de deixar o Brasil; Eduardo Bolsonaro havia recomendado saída do País.

Por Marcelo Bloc

A derrota na eleição presidencial, o avanço de investigações criminais e a possibilidade de perder o foro por prerrogativa de função estão entre fatores que ajudam a explicar o motivo pelo qual Flávio Bolsonaro (PL) poderia tentar deixar o Brasil. O senador teve a saída do País proibida por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e foi intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF).

Nesta terça-feira, 27, o paradeiro de Flávio era desconhecido no início da manhã. Relatos publicados pela imprensa argentina apontaram que ele poderia ter cruzado a fronteira com a Argentina para seguir aos Estados Unidos, mas as autoridades migratórias argentinas informaram não haver registro de sua entrada no país.

A PF também afirmou que não havia registro de saída do senador por pontos regulares de migração.

Flávio, por sua vez, negou que pretendia fugir. Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, 26, afirmou que entregaria os documentos e se defenderia da decisão judicial. O senador também questionou a relação entre a medida e uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que havia defendido sua saída do País caso perdesse a disputa presidencial.

1. Derrota eleitoral e perda futura do foro

Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo, 25. Com o resultado, o senador não assumirá a Presidência da República e deverá concluir seu mandato no Senado em fevereiro de 2027. A mudança pode ter consequências para a tramitação de investigações e processos judiciais envolvendo Flávio.

O foro por prerrogativa de função garante que determinadas autoridades sejam julgadas em tribunais específicos, como o STF, em casos abrangidos pelas regras de competência. Com o fim do mandato, a competência para julgar eventuais acusações poderia mudar, a depender da natureza dos fatos investigados e da relação deles com o exercício do cargo.

A possibilidade de responder a investigações em outras instâncias, contudo, não significa que os procedimentos sejam automaticamente transferidos para a primeira instância. A definição depende das regras de competência aplicáveis a cada caso.

2. Investigação sobre lavagem de dinheiro e apostas

Um dos inquéritos que envolvem Flávio no STF apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em operações relacionadas ao advogado Willer Tomaz, a empresas de pagamentos e ao setor de apostas on-line. A investigação tramita sob sigilo e chegou ao Supremo após a análise de dados do celular de Tomaz, apreendido pela Polícia Federal em outra apuração.

Entre os pontos investigados estão movimentações financeiras consideradas atípicas, possíveis vínculos empresariais e contratos relacionados à Loterj, a loteria do Estado do Rio de Janeiro. Investigadores também apuram viagens internacionais de Flávio que teriam sido custeadas por empresas ligadas a Tomaz. A apuração envolve ainda o ex-governador Cláudio Castro.


A relação entre Flávio e Tomaz é um dos pontos da investigação. Os dois afirmam manter uma amizade lícita e negam irregularidades. A existência de suspeitas investigadas não representa, por si só, comprovação de crime.


3. Apuração sobre financiamento de filme de Jair Bolsonaro

Outro procedimento no STF investiga possíveis irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.

O caso envolve o repasse de cerca de R$ 70 milhões pelo Banco Master para financiar a produção. A apuração busca esclarecer se houve crimes nas operações financeiras relacionadas ao projeto. O caso amplia o conjunto de questões judiciais que envolvem Flávio, embora as suspeitas investigadas não equivalham a uma condenação.

4. Decisão de Alexandre de Moraes restringe viagens

Na noite de domingo, 25, após o resultado da eleição presidencial, Alexandre de Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e a entrega de documentos de viagem de outras nacionalidades no prazo de 24 horas. A decisão também proibiu o senador de deixar o Brasil e de manter contato com Willer Tomaz.

Flávio foi intimado pessoalmente pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira, 26, quando saía da residência do pai, em Brasília. A medida foi tomada no âmbito do inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que cumpriria a determinação e criticou a decisão. Segundo ele, a medida representaria uma tentativa de intimidação política. O senador também disse que nunca havia pensado em deixar o País.

A restrição judicial é um elemento central para entender o contexto dos relatos sobre uma possível viagem ao exterior: uma saída nessas condições poderia configurar descumprimento de ordem judicial e provocar novos desdobramentos legais.

5. Eduardo Bolsonaro sugeriu saída do País em caso de derrota

Dias antes do 2° turno, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que está nos Estados Unidos, defendeu publicamente que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial. A declaração foi feita em 23 de outubro, durante participação no podcast norte-americano Louder with Crowder. Após ser intimado, Flávio afirmou que a fala do irmão foi citada na decisão.

Eduardo já está nos Estados Unidos e tem um mandado de prisão em aberto no Brasil. A sugestão pública feita pelo ex-deputado, portanto, passou a integrar o contexto político e judicial da discussão sobre uma possível saída de Flávio.

Relatos sobre viagem ao exterior e negativas

Na madrugada desta terça-feira, o portal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina, para embarcar em um jato particular com destino aos Estados Unidos. Posteriormente, a emissora argentina "Todo Noticias" informou que uma aeronave estava impedida de decolar no local e que o nome do senador estaria na lista de passageiros.

As informações, porém, não confirmavam de forma independente que Flávio estivesse no avião ou que tivesse deixado o Brasil. Autoridades migratórias argentinas disseram não haver registro de sua entrada no país, enquanto a PF informou que ele não havia saído por um ponto regular de migração.

Aliados do senador e representantes do governo argentino também negaram inicialmente que ele tivesse cruzado a fronteira. Posteriormente, aliados de Flávio afirmaram que ele teria deixado o Brasil. A combinação de derrota eleitoral, investigações em andamento, restrições judiciais e a declaração pública do irmão ajuda a contextualizar as suspeitas sobre uma possível fuga.

opovo.com.br

caririativo.blogspot.com

28.10.2026