O senador saiu do país nesta terça-feira, 27, em meio a uma decisão de Alexandre de Moraes para que entregasse o seu passaporte.
Por AFP, Rogeslane Nunes
O governo americano concederá vistos ao ex-presidenciável derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), e à sua família, informou nesta terça-feira, 27, uma fonte diplomática sob condição de anonimato, após notícias da imprensa sobre sua suposta fuga.
"Os Estados Unidos emitirão vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirão sua entrada nos Estados Unidos", afirmou a alta autoridade do Departamento de Estado, sem confirmar se o senador estava efetivamente a caminho do país.
"Estamos surpresos", diz Rogério Marinho
O senador Rogério Marinho (PL), que ocupou o posto de coordenador geral da campanha de Flávio para a Presidência, havia negado a informação de fuga mais cedo.
Na noite desta terça, Marinho afirmou que a única comunicação que recebeu de Flávio Bolsonaro foi que ele iria "dar um tempo hoje". A conversa teria ocorrido por volta das 8 horas da manhã. "De lá para cá, nós não tivemos mais nenhuma informação a respeito do senador", acrescentou.
Aliado de Flávio, Rogério Marinho se disse surpreendido pela movimentação do ex-presidenciável para fora do País. "Nós estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse o papel de liderança da oposição, que é importante", comentou.
Ele reiterou, ainda, que não tem "notícias de seu paradeiro".
Aliado de Trump diz que Flávio chegou aos EUA
Mais cedo, um aliado de Trump, o advogado mexicano Simón Levy, afirmou que ele já tinha chegado aos EUA "em segurança".
"Como eu disse horas atrás, Flávio Bolsonaro chegou em segurança nos Estados Unidos", escreveu o advogado na rede social X.
Também na publicação, Levy disse que o secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, foi o cérebro por trás da operação.
"Dos Estados Unidos, livre e em segurança, Flávio liderará a oposição contra Lula", escreveu Simón Levy, em tradução livre.
Levy é empresário e advogado e se autodescreve publicamente como um aliado próximo e alguém que serve a Donald Trump e ao movimento MAGA [Make America Great Again, no inglês].
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil
Nesta terça-feira, 27, o site argentino Infobae noticiou que o senador teria viajado em um avião particular, com passagem pela Argentina, de onde seguiria para os Estados Unidos. Autoridades do país não confirmaram a informação.
Segundo a coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, na manhã desta teça, o parlamentar partiu rumo aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas, onde deverá pedir asilo político.
Mais cedo, dois parlamentares aliados do ex-presidenciável confirmaram ao O POVO que ele estava deixando o Brasil, embora não soubessem o destino.
Entrega do passaporte
A fuga ocorre após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ter determinado que o senador entregasse o seu passaporte à PF. O prazo de 24 horas estabelecido para que ocorresse a entrega do documento não foi cumprido.
Flávio Bolsonaro foi intimado nessa segunda-feira, 26, e o prazo terminou na manhã desta terça-feira. Com a ordem descumprida, a PF realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão contra o senador.
Flávio relatou em vídeo que na manhã dessa segunda-feira, 26, após visitar seu pai, Jair Bolsonaro, foi abordado pela PF na porta da casa dele, na rua, quando foi intimado a entregar o seu passaporte, além de ter sido proibido de deixar o Brasil.
Segundo o senador, a PF cumpriu uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, baseada em uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, de 23 de outubro.
"A decisão do Alexandre de Moraes se baseou em uma fala do Eduardo, que [disse] que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte?", questionou.
Eduardo está nos Estados Unidos e é alvo de inquéritos na Suprema Corte. As medidas foram proferidas no segundo inquérito aberto pelo STF contra Flávio, que está sob relatoria de Moraes.
Em entrevista ao podcast CrowderBits, nos EUA, Eduardo disse: "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele deixe o país, com certeza".
Flávio não reconheceu derrota
Derrota nas urnas no segundo turno das eleições gerais de 2026, Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado. Contrariando o seu posicionamento, o Partido Liberal, que ele faz parte, publicou nota reconhecendo que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Executivo brasileiro.
Nessa segunda, o senador mudou o discurso e disse que pediria a "cassação da chapa" do candidato reeleito. Ele manteve sua insatisfação por decisão do ministro Criustiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação do segundo turno até às 19h.
Embora questione a prorrogação, a campanha de Flávio Bolsonaro, assim como a de Lula, haviam pedido por mais tempo para que os eleitores pudessem votar.
A equipe petista alegou problemas de transporte público em algumas cidades, especialmente da Bahia, enquanto a bolsonarista apontou que fortes chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia prejudicaram o deslocamento de eleitores em cidades do Sul e do Sudeste.
opovo.com.br
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28.10.2026


