CE tem menor número de mortes por dengue em 18 anos, mas retorno de vírus gera alerta - Cariri Ativo - A Notícia Com Credibilidade e Imparcialidade
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CE tem menor número de mortes por dengue em 18 anos, mas retorno de vírus gera alerta

CE tem menor número de mortes por dengue em 18 anos, mas retorno de vírus gera alerta

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Legenda: Dengue é transmitida aos humanos pela picada do mosquito Aedes aegypti.
Foto: Pixabay/Pexels.

Sorotipo 3 voltou a ser registrado após altos registros há 20 anos.


Escrito por
Nícolas Paulinonicolas.paulino@svm.com.br

O cenário epidemiológico da dengue no Ceará apresenta uma dualidade: ao mesmo tempo que celebra uma marca histórica de redução de casos e mortes, em 2025, acende um alerta para o futuro próximo. As autoridades de saúde monitoram com cautela a reintrodução de um tipo viral que há muito não causava impacto no território cearense.

O ano de 2025 ganhou destaque por registrar o menor número de mortes por dengue em 18 anos, com 3 óbitos confirmados. Com cerca de 4.742 casos, o período foi de “baixíssima transmissão”, permitindo que o Estado alcançasse um cenário de controle importante.

Os dados foram analisados pelo Diário do Nordeste com base em boletins epidemiológicos da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e na plataforma IntegraSUS, alimentada pela mesma Pasta, e confirmados em entrevista junto ao secretário-executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Silva Lima Neto (Tanta).

Segundo ele, as mortes foram registradas em Limoeiro do Norte (Vale do Jaguaribe), Aracati (Litoral Leste) e Jardim (Cariri), nos meses de maio, julho e agosto.

“Nós vamos fechar 2025 com esses três óbitos, e é uma coisa realmente muito importante, esse baixo número de eventos fatais”, diz o gestor.


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Tanta também lembra que Fortaleza não registrou óbitos pela doença. A última vez que isso ocorreu foi em 1997, ou seja, há 28 anos, segundo monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Historicamente, o Estado enfrentou períodos críticos de alta mortalidade desde 2007. O ano de 2013 foi o mais letal das últimas décadas, com 70 mortes confirmadas, seguido de perto por 2015, com 67 óbitos, e 2011, com 66. 

Nos anos subsequentes, houve uma tendência de queda. Em 2023 e 2024, o número de óbitos estabilizou em 9 casos anuais, com uma redução gradativa no total de infectados. 

Testagem mais eficaz

Já em volume de infecções, o ano de 2022 registrou o maior pico recente, totalizando 40.509 casos confirmados no Estado. Esse declínio preparou o terreno para os resultados observados no último balanço de 2025, o menor em oito anos.

Para Tanta, esse resultado se deve à ampliação da testagem da doença em laboratório, que chegou a 80% dos diagnósticos em 2025. Anteriormente, a grande maioria era definida por critério clínico-epidemiológico, ou seja, com avaliação de sintomas do paciente combinada com o contexto de saúde coletiva. 

“Isso é um avanço do ponto de vista de vigilância enorme, porque você está de fato trabalhando com o cenário que você tem, ainda mais num cenário de cocirculação com outros vírus”, indica.

Segundo o especialista, o diagnóstico das arboviroses deve ser feito ainda no período febril e com teste molecular (RT-PCR). Ele detecta o material genético (RNA) do vírus da dengue, sendo ideal para o diagnóstico precoce e para identificar o sorotipo viral.

Já o teste sorológico detecta anticorpos produzidos pelo corpo, sendo mais útil após alguns dias de infecção para confirmar a fase da doença. Ou seja, só captura a resposta do corpo à infecção, quando o paciente já pode ter desenvolvido casos graves.

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“Nós aumentamos a capacidade de diagnóstico. Foi uma mudança muito drástica que a gente conseguiu operacionalizar nesses anos”, afirma. 

A descoberta mais assertiva do vírus facilita a condução mais adequada do tratamento pelos médicos, melhorando a atenção, a chegada mais rápida aos serviços especializados e a hidratação dos pacientes - já que a dengue afeta significativamente o volume líquido da corrente sanguínea.

Por que o sorotipo 3 preocupa para 2026?

Entretanto, a aparente tranquilidade de 2025 também foi acompanhada pela detecção do sorotipo 3 (DENV-3) nas cidades de Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte e Barbalha. Por coincidência, a reintrodução só ocorreu após o fim da quadra chuvosa, o que pode ter ajudado a conter uma propagação imediata.

preocupação em 2026 reside justamente na vulnerabilidade coletiva da população porque o sorotipo 3 não circula com força no Ceará há cerca de duas décadas. Os últimos registros significativos desse vírus ocorreram entre 2003 e 2007, o que significa que uma geração de cearenses nunca teve contato com esse tipo específico.

Assim, a ausência prolongada do DENV-3 resulta na falta de anticorpos na maioria dos habitantes, criando um ambiente favorável a uma possível epidemia. 

Além do quesito imunidade, o risco clínico é elevado. A ciência alerta que a infecção prévia com um sorotipo não protege contra os outros; pelo contrário, infecções sucessivas por tipos diferentes aumentam o potencial de formas graves da doença. 

Por isso, como muitos cearenses já foram infectados pelos tipos 1, 2 ou 4, o retorno do tipo 3 é uma ameaça direta à saúde pública.

Para enfrentar o risco em 2026, o Estado planeja intensificar alertas, especialmente na região do Cariri. A vigilância laboratorial e a vacinação também são consideradas peças-chave na estratégia de contenção.

A atenção deve ser redobrada com a chegada das chuvas, especialmente entre fevereiro e maio. Se o vírus encontrar uma alta infestação do mosquito Aedes aegypti no início de 2026, o cenário de baixa transmissão vivido em 2025 poderá ser revertido.

diariodonordeste.verdesmares.com.br

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12.01.2026