Conheça a história de Alessandro Montenegro, cearense que está reavivando o setor de loterias.
Fundada em 2005, a Loteria Aldeota foi, por muito tempo, um pequeno negócio. A virada de chave, por ironia do destino, veio com uma bela pitada de sorte e, principalmente, com ideias inovadoras de um empresário cearense que atingiu o apogeu depois dos 50.
Da derrota no Pará à vitória na mega-sena

"Pensei: como vou sustentar minha família agora, meu Deus?", relembra o empresário. O dinheiro apurado com a loteria, até então, não era expressivo. Foi aí que Alessandro decidiu largar o outro ofício e se dedicar integralmente à lotérica.
Poucos meses depois, no início de 2020, tudo começou a mudar. Em fevereiro daquele ano, um bolão da mega-sena (relembre a história clicando aqui) acumulada de mais de R$ 200 milhões, vendido na sua lotérica, foi sorteado, fazendo 35 novos milionários (27 do Ceará e o restante de outros estados). Cada um levou R$ 3 milhões. O valor foi um dos maiores da história, à exceção das premiações da Mega da Virada.
Inovação na pandemia

O prêmio lançou grande atenção sobre a casa, o que atraiu novas frentes de clientes. Em seguida, contudo, veio o primeiro decreto de lockdown no Ceará por conta da pandemia de Covid-19. E aí, sim, o negócio mudou definitivamente.
Com o isolamento social, Montenegro enxergou uma oportunidade e investiu fortemente em bolões por delivery. O apostador faz o jogo sem sair de casa e recebe o bilhete no domicílio.
Outra opção que cresceu exponencialmente foi a de manter os bilhetes no cofre da própria lotérica, um serviço que escalou à medida que a empresa ganhou a confiança dos clientes.
Aliás, essa alternativa foi usada por alguns dos novos milionários daquele icônico sorteio de 2020, lembra Montenegro.
"Os sorteados me deram parte do prêmio e eu reinvesti na empresa"
"Pessoas de outros estados viajaram de avião para pegar o bilhete premiado com a gente. Eles ficam guardadinhos aqui. É uma responsabilidade enorme. Alguns decidiram me dar voluntariamente parcelas do prêmio, como forma de agradecimento pelo nosso serviço", conta, destacando que os valores foram reinvestidos no negócio.
O crescimento acelerado da demanda fez a loteria absorver mais mão de obra. Hoje, são 30 funcionárias apenas para o atendimento com a clientela — e 100 no total. O papel é estreitar o contato e investir em personalização e criação de hábitos com os apostadores.
Uma estratégia crucial para o sucesso foi o investimento em publicidade. "A gente investe muito em mídia tradicional. Funciona demais, pois existe confiança. Nesses tempos de fake news, as pessoas confiam muito no rádio, na TV", ressalta.
E comenta que as bets não reduziram a demanda nas consagradas loterias: "Ninguém fica milionário com bet. Só com loterias formais mesmo".
Faturamento atinge R$ 57 milhões

O pesado investimento em infraestrutura, mídia, tecnologia e relacionamento com o cliente se reverte em resultados. Em 2025, a casa faturou R$ 57 milhões, a um crescimento superior a 20% sobre bases de comparação fortes, atraindo apostadores de todo o País e até estrangeiros. Clientes da casa já ganharam mais de R$ 155 milhões em prêmios.
“Isso aqui não é pra qualquer um. Pra você ter uma ideia, muitas lotéricas nem se pagam. Tem que ter sangue no olho. Conferir bilhete por bilhete, prestar conta de tudo. Começa de manhã cedinho e vai até tarde da noite", diz o executivo, que trouxe familiares para a gestão da empresa após o 'boom'. O filho Lucas está compartilhando a liderança do negócio.
"Quanto mais cabra. mais cabrito"
Hoje conhecido como 'rei do bolão', Alessandro conta que lotéricos do Brasil inteiro visitam a casa para aprender. "As portas estão abertas para todos. A gente quer que o setor cresça. Quanto mais cabra, mais cabrito", brinca.
Um dos diferenciais é o tíquete-médio. Os apostadores dos bolões deixam em torno de R$ 350 por mês na lotérica, quantia que passa de R$ 600 nos períodos que antecedem a Mega da Virada. Nesse modelo, a chance de ganhar na Loto Fácil, mega-sena e outras cresce consideravelmente.
Na última Mega da Virada, que pagou mais de R$ 1 bilhão, o prêmio principal não veio. Um dos bolões cravou a quina. Alessandro exibiu o bilhete para este colunista. "Faltou só o número 13", disse.
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12.01.2026


