Idosos realizam sonho de casar na igreja após 50 anos de união no civil - Cariri Ativo - A Notícia Com Credibilidade e Imparcialidade
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Idosos realizam sonho de casar na igreja após 50 anos de união no civil

Idosos realizam sonho de casar na igreja após 50 anos de união no civil

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Legenda: Casal subiu ao altar no último 28 de dezembro no conjunto Jereissati, Região Metropolitana de Fortaleza.
Foto: Divulgação/Pascom Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Seu Edilton e dona Francisca conheceram-se na escola e nunca mais se largaram.


Escrito por
Diego Barbosadiego.barbosa@svm.com.br

Não precisou chegar 2026 para o Réveillon de seu Edilton e dona Francisca. Luzes de um novo passo acenderam-se antes. Luzes da igreja em que finalmente realizaram um sonho aconchegado por 50 anos: o de receber bênçãos divinas perante o altar – “sim” alto e confirmado no meio de filhos, netos, amigos, toda uma longa história para contar.

Foi no último 28 de dezembro. Manhã de sol na igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, conjunto Jereissati, Região Metropolitana de Fortaleza. Calor e casamento coletivo. Seu Edilton juntou-se a outros sete noivos em uma sala; dona Francisca e o restante das noivas em outra. “Começou um falatório, e a gente começou a chorar”, conta ele.

No momento da entrada do cortejo, porém, disse a si mesmo que controlaria as lágrimas, e assim foi – até que elas irromperam de novo em outros vários instantes da cerimônia. Emoção justificada: observar a estrada ali foi motivo para perceber que tudo tinha sido muito bom. O destino foi mestre e rei. Caprichou em apresentar o amor.

Ambos recordam, voz sublimada pelos anos: os primeiros flertes aconteceram ainda na escola – o Colégio Marupiara, no bairro Jóquei Clube. “Fomos nos conhecendo e começamos a namorar”, resume o esposo. “Nasci em Santa Quitéria e ela em Redenção, mas viemos pra Fortaleza e isso aconteceu”. Aos 75, não lembra do motivo do apaixonamento. Mas gosta de saber que tudo ocorreu naturalmente, feito as melhores coisas da vida.

Nessa hora, é dona Francisca, aos 78, quem traz à tona como era a rotina do casal. Após o Ginásio – equivalente ao Ensino Fundamental – cada um foi para uma escola (ela, o Justiniano de Serpa, ele o Liceu do Ceará), mas os encontros permaneceram. “Às vezes ele me deixava em casa na garupa da bicicleta, às vezes eu ia pra casa dele…”, suspira.

Na imagem, uma fotografia em close de uma cerimônia de casamento dentro de uma igreja católica. No centro, um padre de óculos e vestimenta litúrgica branca com bordados dourados segura um microfone para um homem idoso à esquerda. O homem, que tem cabelos brancos e usa um terno cinza claro, está colocando uma aliança no dedo de uma mulher idosa à direita. A noiva veste um vestido branco e um véu com detalhes em renda. O fundo mostra o altar da igreja decorado com flores brancas e laranjas, velas acesas e elementos sacros.
Legenda: Casal desejou selar laços na Igreja também para comungar.
Foto: Divulgação/Pascom Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

“Quem se apaixonou primeiro por ele foi uma amiga minha, mas ela desistiu e ele disse que não queria ela, então começamos a namorar. Ele só vivia me olhando, aí despertou aquela curiosidade em mim, de conhecê-lo”, ri. Não moravam longe um do outro, o que favorecia o contato. De repente, João XXIII e Panamericano eram vizinhos, e foram se achegando cada vez mais até a decisão conjunta de ter um filho e morar juntos. Era a década de 1970.

Na sequência, em 1984, outro passo esperado e concretizado foi o casamento civil. A cerimônia precisou ser rápida, seu Edilton estava trabalhando e não tinha muito tempo. Mas em nada diminuiu a importância. Ali selaram o que já estava dado: gostavam-se, amavam-se, e queriam testemunhar isso, falar para quem quisesse ouvir.

Na imagem, uma noiva idosa, em primeiro plano e levemente inclinada, assina um documento matrimonial sobre uma mesa coberta com uma toalha branca. Ela usa um vestido de noiva branco com detalhes em pérolas, um véu translúcido com bordas de renda e uma tiara de pérolas. À sua direita, parte do noivo é visível, vestindo um terno cinza e segurando um pequeno buquê de flores brancas. Ao fundo, o interior de uma igreja com convidados sentados em bancos de madeira sob uma iluminação suave. A composição foca no momento solene da assinatura.
Legenda: Casamento foi realizado de forma coletiva com outros sete casais.
Foto: Divulgação/Pascom Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

“Temos três filhos, três netinhos – netinhos não, netões, porque já são todos grandes – e, quem sabe, um dia teremos bisnetos”, enumera ele de um lado. “O amor é essa confiança, compreensão, convivência. Um se preocupar com o outro, viver um em função do outro, em função da família. Família é amor”, define ela do outro.

Não à toa, o desejo de casar na igreja, e não apenas perante a justiça humana: queriam alargar esse amor e dar significado à religião que professam. E tinha outro motivo. Não comungaram nas missas durante meio século devido à exortação apostólica do Papa João Paulo II, datada de 22 de novembro de 1981, que professava que casais sem o sacramento do matrimônio não podiam receber a hóstia eucarística. Agora seria diferente.

Na imagem, retrato de corpo inteiro de uma noiva idosa posando em um salão com piso claro e parede amarela ao fundo. Ela sorri suavemente enquanto segura um buquê de flores brancas e miçangas (mosquitinhos) com as duas mãos. Veste um vestido de noiva branco acetinado com detalhes em renda no decote e um véu translúcido longo. A iluminação é frontal e destaca os detalhes das joias de pérola que ela usa.
Legenda: Ao lembrar do casamento, dona Francisca diz que se sentiu "uma princesa".
Foto: Divulgação/Pascom Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

O sentimento da entrada no templo com os filhos, da troca de alianças, do beijo compartilhado em público e da bênção divina durante o casamento agora se estende a todas as vezes em que, mãozinhas postas, acolhem corpo e sangue de Cristo em materialidade. Já se reconhecem novos, embora tão conhecedores de si. Réveillon todo dia.

“Ainda temos sonhos. O maior é viajar para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida – de ônibus não, de avião. Temos muita vontade de conhecer. Vivemos só de aposentadoria, mas uma hora dá certo”. Sobre o segredo para 50 anos de união: “Compreensão e paciência”. E, arrisco, ainda chorar de emoção, ainda querer realizar.

Só os encantados sabem amar.

Esta é a história de amor de Franscisco Edilton Fontinele e Maria Francisca da Silva Fontinele. Envie a sua também para diego.barbosa@svm.com.br. Qualquer que seja a história e o amor.

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07.01.2026