Autor Gabriela Almeida
O Ceará registrou três casos da gripe K, subtipo da influenza A, neste ano de 2026. Dois deles foram identificados em Caucaia, na Região Metropolitana (RMF), e um em Fortaleza. É a primeira vez que a variante é observada no Estado. O novo micro-organismo patogênico está relacionado a maior circulação e casos da influenza.
Dado consta em nota técnica da Secretária de Saúde do Ceará (Sesa), divulgada há cerca de uma semana, e corresponde às Semanas Epidemiológicas 1 a 5 (do dia 4 de janeiro ao dia 1° de fevereiro).
Conforme a Secretaria, foram colhidas 11 amostras para análise. Dessas, oito eram do subtipo A (H3N2) e três do subtipo clado K.
De acordo com o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, o médico epidemiologista Antonio Silva Lima Neto, o “Tanta”, esse subclado surgiu após uma variação genética do subtipo A (H3N2).
Ou seja, é como se o vírus criasse um novo "galho genético" após sofrer a mutação. Essa nova ramificação, de acordo com o profissional, é o que torna a circulação viral mais intensa, pois o micro-organismo patogênico acaba "enganando" o sistema imune.
"O que o subclado tem de novo é que aumenta a transmissibilidade, o que faz com que a gente tenha surtos súbitos [de gripe], parecidos com o que estamos vivenciando", destaca Tanta, pontuando que o Estado vive um "surto de Influenza antecipado" e que isso pode estar associado a esse subtipo.
Ainda segundo o médico epidemiologista, a gripe K pode apresentar sintomas como febre, tosse, coriza e dor muscular, os mesmos que surgem em um gripe comum. Ele também destaca que a vacina é capaz de mitigar a doença, reduzindo o número de casos graves e evitando internações e óbitos.
Sobre a detecção do subclado, Tanta explica que a orientação é que as amostras coletadas sigam para o Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen), onde é feita a subtipagem, e em seguida sigam para o Centro Nacional de Influenza/Instituto Evandro Chagas (NIC/IEC), para que se possa entender a arvore genética do vírus.
"Historicamente, o H3N2 apresenta uma taxa de mutação mais acelerada que o H1N1, o que leva à formação frequente de novos clados (grupos). Um exemplo recente de grande relevância é o surgimento e a dispersão do subclado K. Essa diversidade, especialmente no que se refere às alterações antigênicas, exige monitoramento contínuo e detalhado da circulação viral", destaca a Sesa em boletim.
A chamada gripe K foi identificada pela primeira vez no Brasil em dezembro de 2025, no estado do Pará.
opovo.com.br
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04.03.2026


