A idosa estava internada para tratar uma obstrução intestinal, e foi operada no lugar de outra paciente.
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Uma paciente de 76 anos com câncer de intestino morreu após ser submetida por engano a uma cirurgia no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP).
O caso aconteceu em junho, mas se tornou público nesta quarta-feira (22).
Segundo o portal g1, Jandira Marina Dias Braga estava internada para tratar uma obstrução intestinal e, conforme a família, foi encaminhada ao centro cirúrgico, sem maiores explicações.
O procedimento, no entanto, era destinado à outra paciente. Segundo o prontuário, Jandira passou por uma gastrostomia endoscópica, procedimento para colocação de uma sonda diretamente no estômago.
O erro só foi percebido durante a troca da equipe de plantão, quando os profissionais identificaram que a paciente que deveria fazer a cirurgia continuava no quarto aguardando. O procedimento em Jandira, no entanto, já havia sido concluído.
A dentista Camila Dias Barozzi, neta da idosa, disse que a direção do hospital chamou a família para uma reunião após o ocorrido e admitiu o erro.
No entanto, o hospital disse que a cirurgia trouxe benefício para a paciente porque permitiu que fluidos associados à obstrução do intestino fossem drenados.
A instituição disse, em comunicado, que uma avaliação médica e técnica concluiu que a intervenção "não alterou o prognóstico da paciente".
"No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. Então aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico não foi", afirmou Camila à EPTV.
A dentista disse ainda que o quadro de saúde da avó piorou após a cirurgia. "Ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico. Foi então que o quadro clínico dela decaiu muito", disse.
Transferida para UTI
Um dia após o procedimento, Jandira foi transferida para a UTI depois de apresentar um quadro de confusão mental, hipotensão, queda da saturação de oxigênio e alteração do ritmo cardíaco.
A equipe médica passou a investigar hipóteses como sepse e tromboembolismo pulmonar.
Jandira morreu dois dias depois, e a família afirma que pretende buscar medidas judiciais para apurar responsabilidades.
Ainda conforme Camila, a avó teve o mesmo câncer há 12 anos, e passou por quimioterapia.
"A oncologista falou para a gente que não tinha metástase e que seria igual da última vez que ela fez o tratamento. Ela faria uma quimio e teria uma vida normal, igual foi a última vez que ela teve", disse.
Em nota, o hospital Beneficência Portuguesa informou que identificou um "evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente" e que abriu sindicância interna, acionou os conselhos profissionais competentes e adotou medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos.
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23.07.2026


