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Entenda como funciona a escolha de suplentes e formação da chapa para o Senado no Ceará

Entenda como funciona a escolha de suplentes e formação da chapa para o Senado no Ceará

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Legenda: Especialistas apontam a suplência como cargo estratégico dentro do cenário atual.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

O registro das candidaturas, conforme calendário da Justiça Eleitoral, começou nessa segunda-feira (20).

Escrito porMilenna Murta*milenna.murta@svm.com.br

As especulações em torno da formação das chapas para a disputa ao Senado Federal, no Ceará, vêm sendo marcada por conflitos intrapartidários na oposição e demora na divulgação dos nomes pela base governista. Concomitantemente, o registro das candidaturas ao pleito de 2026 começou na segunda-feira (20).


Antes mesmo da oficialização dos candidatos pelas legendas partidárias ou do período de campanha iniciar, o cenário que se forma pode ser avaliado como de uma "eleição competitiva" não vista há algum tempo no estado.


A constatação parte de Monalisa Torres, professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e pesquisadora do Observatório da Política no Nordeste (OPN). A disputa acirrada para o cargo de governador do Ceará, em especial, transborda para a formação das chapas que disputarão vaga na bancada cearense da Câmara Alta.


Há, ainda, legendas que não lançaram seus pré-candidatos ou não anunciaram os suplentes que irão entrar na disputa. Conforme a docente, está havendo uma dificuldade na montagem das chapas devido às alianças formadas para esse pleito.

Mesmo quando se fala do suplente a senador, vê-se, hoje, um cargo considerado estratégico, do qual a candidatura traz uma visibilidade e "vitrine política" para o candidato. Os "rodízios" por aqueles que assumiram as cadeiras no Senado nos últimos pleitos, inclusive, evidencia a recente sistemática para a escolha dos nomes à chapa.

Montagem das chapas para o Senado

Ao lançar um nome para disputar o Senado Federal, além da figura escolhida para concorrer a uma vaga dentro da Casa, faz-se necessário indicar outras duas pessoas para a suplência.


Em caso de afastamento do senador eleito, seja por licença, cargos em ministérios ou viagem, cabe ao primeiro suplente assumir o posto. Se este também estiver ausente, a função é destinada ao segundo político da chapa.


As regras de escolha sobre quem pode compô-la não se limitam ao mesmo partido ou federação. Entre os senadores eleitos desde a redemocratização, inclusive, apenas quatro das chapas foram puras, ou seja, compostas por políticos de uma única legenda.


Com exceção do pleito de 1990, quando o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) elegeu Beni Veras e suplentes Reginaldo Duarte e Juarez Leitão, o fenômeno de pureza nas chapas só foi efetivo no Ceará nas últimas duas eleições, em 2018 e 2022.


As chapas em questão foram dos senadores Eduardo Girão (Pros, à época) e Cid Gomes (PDT, à época) em 2018, e Camilo Santana (PT) em 2022.

Monalisa Torres avalia essa categoria de montagem como não vantajosa, pois podem representar dificuldades de negociação ou de alianças com outras legendas:

Às vezes, ela [chapa pura] é um indicativo de dificuldade que os partidos tiveram de compor com os aliados. Então, isso pode sinalizar muito mais a dificuldade de composição, de aliança, de arranjos, do que necessariamente uma força que aquele partido tem a ponto de sair sozinho. Nesses casos, as alianças e composições mais plurais ou mais heterogêneas sinalizam muito mais a capacidade que as lideranças, naquele momento, tiveram de fazer essas composições.
Monalisa Torres
Professora e pesquisadora

Com a competitividade presente para essa eleição no Ceará, a cientista política e socióloga Paula Vieira aponta que é um cenário em que, para que alianças sejam efetivadas, faz-se uso da distribuição de cargos como tática. Ela também pontua que, quanto maior o teor competitivo, mais importante é garantir esses parceiros.


"Essas estratégias vão sendo montadas para maximizar a chance da maioria dos grupos políticos estarem nesse entorno, porque senão eles vão para o entorno de outro nome. Nenhum partido vai ficar na aliança totalmente de graça", explica a especialista.


Além disso, a suplência possui a função de captar votos e, por isso, muitas vezes a finalização dessa chapa parte de um "acordo na escolha do nome", que parece ainda estar em discussão por parte das legendas neste pleito.

Quais foram os suplentes pós redemocratização?

Desde os anos de 1990, um total de 26 suplentes foram eleitos junto aos senadores cearenses. Entretanto, apenas oito deles chegaram a assumir a cadeira da Câmara Alta em algum momento do mandato.


Eleito como primeiro suplente de Beni Veras (PSDB) em chapa pura, Reginaldo Duarte foi senador cearense por um curto período de um mês em 1999, já ao final da legislatura. Ele se reelegeu como suplente neste ano, dessa vez junto ao senador Luiz Pontes (PSDB), e exerceu atividades legislativas três vezes entre 2002 e 2006.


Durante esses quatro anos, apenas o suplente Luiz Girão (PDT) também chegou a assumir uma cadeira na Casa, substituindo o senador Lúcio Alcântara (PSDB) entre dezembro de 2002 e janeiro de 2003.


Seu correligionário, suplente da senadora Patrícia Saboya (Eleita pelo extinto PPS), Flávio Torres (PDT), esteve ativo no Senado Federal por quatro meses em 2009. Depois do político, a suplência cearense só voltaria a exercer funções na Casa 10 anos depois.


Em 2019, ao começo do mandato de Cid Gomes, seu, à época, correligionário Prisco Bezerra assumiu a cadeira por quatro meses, permanecendo até abril de 2020. Na mesma chapa, o segundo suplente, Júlio Ventura, também substituiu o senador em 2022.

De igual modo, ao final dessa legislatura, o atual presidente estadual do Republicanos, Chiquinho Feitosa (Democratas, à época), que era o suplente do senador Tasso Jereissati (PSDB), esteve como parlamentar na Casa.


Já no atual cenário, duas suplentes se revezaram na Câmara Alta pela chapa de Camilo Santana: as correligionárias Augusta Brito e Janaína Farias. A segunda suplente atuou por apenas quatro meses, enquanto a primeira cumpriu quase todo o mandato, pois o senador se afastou para assumir o Ministério da Educação (MEC).


A posição adquirida por Augusta, inclusive, é vista por Paula como uma das possíveis táticas das chapas que se elegerem, uma vez que "o senador principal da cabeça pode estar visualizando que vai assumir novos cargos e colocar na sua suplência alguém que vai assumir essa suplência por mais tempo".

Importância da suplência


A socióloga chama atenção para a crescente influência e poder dos senadores dentro da política brasileira, especialmente com os entraves entre Legislativo e Executivo.


Com a maior rotatividade das cadeiras no Senado, junto ao potencial da Casa em "travar ou fazer avançar a agenda do executivo", o cargo de suplente está recebendo maior atenção e valor estratégico.

De 10 anos para cá, o suplente não tem sido um cargo menor por esses motivos, porque há mais visibilidade para o Legislativo, e há uma nova forma de ação legislativa que fortalece o Legislativo frente ao Executivo Nacional.
Paula Vieira
Socióloga e cientista política

No momento das eleições, o nome pode influenciar diretamente na escolha do senador, além de contribuir para a "articulação com o candidato ao Governo do Estado".

Cenário de 2026

Do lado governista, o senador Cid Gomes (PSB) anunciou sua pré-candidatura à reeleição na última semana. Como primeiro suplente, anunciou-se o nome de Júnior Mano (PSB), também cotado para disputar esse cargo.


Paula Vieira enxerga uma possível estratégia de rodízio de cadeiras em caso de vitória na eleição por parte do Ferreira Gomes:


"O Cid Gomes vinha defendendo o nome do Júnior Mano para senador, que tinha sido esse o acordo que foi feito. [...] Há uma grande possibilidade de que, ele ganhando e assumindo, o Júnior Mano assuma", explica.


Outras legendas do lado governista ainda não chegaram a confirmar seus candidatos para o cargo. Entre os nomes mais especulados, estão a deputada federal Luizianne Lins (Rede), o presidente do PSD Ceará, Domingos Filho, e o ex-deputado federal Chiquinho Feitosa (Republicanos).


O presidente estadual do MDB, Eunício Oliveira, foi lançado como pré-candidato pelo partido. Apesar de não estar inserido no eixo oposicionista, ele chegou a tecer críticas sobre Cid Gomes nesta semana.

Já na oposição, o PL lançou a pré-candidatura de Alcides Fernandes neste mês de julho. Além do deputado estadual, a legenda está vivendo uma crise intrapartidária devido à possível pré-candidatura de Priscila Costa (PL).


A circunstância chegou ao nível nacional do partido, e gerou discussões entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Na ocasião, a ex-presidente do PL Mulher chegou a acusar o senador carioca de "traição" pelo apoio à Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, e consequente descarte da candidatura de Priscila ao Senado.


Também na oposição, espera-se que o ex-secretário da saúde de Maracanaú, Capitão Wagner (União Brasil), e o General Theophilo (Novo) entre na disputa.


*Estagiária sob supervisão da jornalista Jéssica Welma.

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23.07.2026