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Quais frutas o Ceará mais exporta em 2026 e para quais países?

Quais frutas o Ceará mais exporta em 2026 e para quais países?

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Legenda: O Ceará é um dos principais produtores de melão do País.
Foto: Cipp/Divulgação.

Estado se consolida em 5º lugar no ranking nacional e projeta forte aceleração no 2º semestre.

Escrito porPaloma Vargaspaloma.vargas@svm.com.br

As exportações de frutas do Ceará registraram crescimento de 32,4% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2025. 


Em 2026, as vendas para o exterior movimentaram US$ 62,05 milhões, enquanto que no ano passado foram US$ 46,83 milhões.


Os dados são do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), compilados pela Secretaria de Desenvolvimento econômico do Ceará (SDE-CE) que reúne dados brasileiros de exportação e importação.


Entre as frutas que o Ceará mais exporta estão:

  • melões
  • melancias
  • bananas
  • mangas
  • mamões

Com esse resultado, o Ceará responde por 10,2% de toda a exportação de frutas do Brasil, consolidando-se como o 5º maior estado exportador do país, atrás apenas de São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia.


Veja o Top 5 estados exportadores de frutas:

  1. São Paulo: US$ 125,75 milhões (20,67% do país)
  2. Pernambuco: US$ 123,36 milhões (20,28% do país)
  3. Rio Grande do Norte: US$ 110,06 milhões (18,09% do país)
  4. Bahia: US$ 81,07 milhões (13,33% do país)
  5. Ceará: US$ 62,05 milhões (10,20% do país)

Segundo Odílio Coimbra, assessor da presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), os resultados dos primeiros seis meses antecipam um cenário considerado otimista, já que o período corresponde apenas à fase inicial do calendário tradicional de embarques.

O melão é o rei da exportação

O grande destaque da pauta exportadora cearense segue sendo o melão, que sozinho movimentou US$ 41,03 milhões e 40,28 mil toneladas, em peso. Com isso, o salto foi de 33,18% em relação ao mesmo período de 2025.


Em segundo lugar, a melancia somou US$ 14,84 milhões (18,75 mil toneladas), registrando alta de 29,68%. Juntos, melão e melancia representam a imensa maioria do volume e faturamento de frutas do estado.


Conforme o especialista da Faec, isso ocorreu porque "safra e demanda caminharam juntos".

Do lado da produção, ele explica que houve boas condições de manejo nas áreas irrigadas, disponibilidade hídrica mais favorável em diversas regiões produtoras e manutenção da elevada qualidade dos frutos. 


"No mercado internacional, observou-se demanda firme, especialmente da Europa, impulsionada pela busca por frutas frescas de alta qualidade durante períodos em que parte dos concorrentes internacionais ainda não havia iniciado sua oferta plena. Esse ambiente favoreceu tanto o aumento do volume embarcado quanto a manutenção de preços competitivos", reforça.


No entanto, culturas menores apresentaram crescimentos percentuais expressivos, evidenciando a diversificação da pauta local.


Segundo ele, a exportação de mamão cresceu 455%, de coco mais de 1.000% e de pitaia quase 70%. As mangas tiveram expansão na pauta exportadora acima de 50%.


"É importante destacar que parte desses elevados percentuais decorre de uma base comparativa relativamente pequena em 2025, mas evidenciam um processo de diversificação da pauta exportadora cearense", comenta Coimbra.

Confira o ranking com o crescimento anual:

  1. Melões: US$ 41.035.667 - 40,28 mil toneladas (+33,18%)
  2. Melancias: US$ 14.846.757 - 18,75 mil toneladas (+29,68%)
  3. Bananas: US$ 3.073.240 - 4,73 mil toneladas (+4,01%)
  4. Mangas: US$ 1.585.730 - 1,72 mil toneladas (+51,35%)
  5. Mamões: US$ 771.192 - 629,5 toneladas (+454,83%)
  6. Pitaias: US$ 519.130 - 120,6 toneladas (+67,34%)
  7. Cocos: US$ 134.646 - 115,3 toneladas (+1.024,77%)
  8. Maçãs: US$ 12.991 - 3,9 toneladas (+82,92%)
  9. Uvas: US$ 9.368 - 2,1 toneladas (+108,18%)
  10. Laranjas: US$ 6.885 - 4,6 mil kg (+81,61%)

Para quais países o Ceará exporta as frutas?

A União Europeia segue isolada como o principal destino das frutas comercializadas pelo Ceará.


A maior parte dos embarques é direcionada para os Países Baixos (Holanda), que por conta da parceria comercial entre os portos do Pecém e de Roterdã, atua como o principal hub e porta de entrada logística para a distribuição no continente europeu.


Em segundo lugar vem a Espanha, seguida do Reino Unido, Portugal e Itália. Além da liderança europeia, os mercados da América do Norte e do Oriente Médio mantêm volumes relevantes em determinadas culturas.


Um ponto de atenção destacado por Coimbra é que nem todas as frutas presentes na lista são cultivadas em solo cearense. Isso ocorre porque o levantamento do Mdic contabiliza o estado onde é registrada a operação comercial de exportação.


Dessa forma, itens como maçãs e uvas, por exemplo, são produzidos em outras regiões do país, mas entram na pauta local por serem comercializados por empresas sediadas no Ceará ou embarcados a partir da infraestrutura dos portos cearenses.


Sobre essa capilarização dos produtos, o assessor da presidência da Faec aponta que o setor trabalha no momento para abrir e consolidar novas rotas comerciais, com foco na expansão para a Ásia e países do Golfo Pérsico.

Janela internacional, clima e logística no Pecém

Ainda conforme o especialista, um dos diferenciais da fruticultura irrigada cearense é o calendário produtivo.


Ele destaca a produção do semiárido, que permite ao Ceará abastecer mercados internacionais "justamente em períodos de menor oferta de diversos concorrentes internacionais, reduzindo a competição direta".


"Essa complementaridade aumenta a atratividade da fruta cearense e contribui para melhores preços e maior previsibilidade dos embarques".


Já sobre as condições meteorológicas locais e o impacto delas na exportação, o representante da Faec afirma que as áreas irrigadas reduziram significativamente a dependência das chuvas, permitindo estabilidade na produção. 


"Em algumas regiões houve necessidade de ajustes operacionais em função de eventos climáticos pontuais, mas sem impactos relevantes sobre a qualidade dos frutos destinados ao mercado externo. A tecnologia empregada pelos polos produtores contribuiu para manter os padrões exigidos pelos compradores internacionais", explica.


Na parte logística, o escoamento pelo Porto do Pecém — principal corredor da fruticultura estadual — apresentou melhora na oferta de rotas e infraestrutura para contêineres refrigerados. 


"Entretanto, o custo do frete marítimo ainda representa um importante componente do custo final. Embora tenha havido estabilização em relação aos picos registrados nos últimos anos, o setor continua acompanhando oscilações internacionais e busca ampliar a oferta de rotas e serviços para aumentar a competitividade", diz Coimbra.

Perpectivas pra o segundo semestre

Historicamente, o segundo semestre costuma acelerar os embarques de frutas devido ao pico da safra de melão e melancia no semiárido.


Questionado sobre a expectativa da associação para os volumes de exportação do Ceará até o fim do ano, o assessor afirma ser "bastante otimista". 


"Tradicionalmente, cerca de dois terços das exportações anuais de melão e melancia concentram-se no segundo semestre. Mantidas as atuais condições de produção, demanda e logística, a expectativa é de que o Ceará encerre 2026 com crescimento nas exportações de frutas".

diariodonordeste.verdesmares.com.br

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23.07.2026